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Corredor Verde ABD completa 18 anos com a marca de 13 mil árvores plantadas

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Corredor Verde ABD completa 18 anos com a marca de 13 mil árvores plantadas

Corredor Verde ABD completa 8 anos com a marca de 13 mil árvores plantadas
Corredor Verde ABD completa 8 anos com a marca de 13 mil árvores plantadas. Foto: Reprodução

 

Ao completar 18 anos, o Corredor Verde ABD chega à maioridade consolidado como um dos principais exemplos de integração entre mobilidade urbana e sustentabilidade na Região Metropolitana de São Paulo. São 160 espécies e cerca de 13 mil árvores e arbustos distribuídos ao longo de 90 quilômetros (ida e volta) do corredor, que conecta os trechos São Mateus-Jabaquara e Diadema-Brooklin.

Criado pela Next Mobilidade — concessionária responsável pela operação do Corredor ABD — o projeto de jardinagem combina arborização urbana e ônibus elétricos para reduzir os impactos da poluição atmosférica e melhorar a qualidade de vida da população que circula diariamente pelo sistema.

Para celebrar a data, a empresa promoveu hoje (11/01), na sede da empresa em São Bernardo do Campo, uma programação especial com a participação do médico patologista e professor-doutor Paulo Saldiva, uma das principais referências do país nos estudos sobre os efeitos da poluição na saúde humana.

A presença do especialista tem um significado especial para o projeto: os estudos de Saldiva sobre os impactos da poluição atmosférica e o papel da vegetação na mitigação das emissões de carbono inspiraram a criação do Corredor Verde.

“É considerado um corredor exemplo para muitas cidades”, lembrou a presidente de honra da Next Mobilidade e idealizadora do Corredor Verde, Maria Beatriz Setti Braga, na abertura do evento. Beatriz também destacou outras iniciativas sustentáveis desenvolvidas pela empresa, como a destinação dos resíduos recicláveis gerados nos terminais do corredor.

A consultora de meio ambiente da Next Mobilidade, Sonia Lima, definiu Saldiva como uma “referência e uma inspiração para quem se preocupa com a poluição atmosférica” e o chamou carinhosamente de “médico ambiental”. “O ar que respiramos atualmente é incompatível com a saúde humana”, afirmou.

Durante a programação, Saldiva ministrou a palestra “O Impacto da Poluição na Saúde Humana”, percorreu o Corredor da sede até o Terminal Ferrazópolis, onde realizou o plantio de uma muda de Manacá da Serra, uma das espécies que podem ser apreciadas por quem percorre o Corredor. Ao lado da árvore, foi colocada uma placa em homenagem ao médico.

O especialista ainda elogiou a criação do Corredor. “É uma iniciativa que impressiona. Porque a empresa não foi obrigada a fazê-lo por força da lei ou por um marketing verde. Começou por iniciativa própria. Vim aqui um tempo atrás e fiquei encantado com isso”, ressaltou. No final da palestra, deixou uma mensagem aos trabalhadores da manutenção presentes no evento: “Vocês não trabalham somente com a manutenção dos ônibus; trabalham com a manutenção da vida das pessoas por onde os ônibus passam ou daquelas que neles viajam.”

Corredor Verde ABD completa 8 anos com a marca de 13 mil árvores plantadas
Com presença do Dr. Paulo Saldiva, Next Mobilidade reafirma compromisso com o meio ambiente e anuncia que modelo de floresta urbana será expandido para o novo BRT-ABC. Foto: Divulgação

Floresta urbana para reduzir carbono

Ao longo de quase duas décadas, o Corredor Verde ABD transformou o eixo viário em uma espécie de floresta urbana linear. O projeto prioriza espécies nativas da Mata Atlântica adaptadas às condições urbanas e à dinâmica do transporte metropolitano.

A manutenção e o monitoramento da arborização são realizados diariamente por uma equipe própria de jardinagem da Next Mobilidade.

Além de contribuir para o paisagismo urbano, a arborização atua diretamente na redução do dióxido de carbono (CO₂) da atmosfera por meio da fotossíntese. Nesse processo, as árvores absorvem carbono, transformam o elemento em biomassa e liberam oxigênio.
Segundo a Next Mobilidade, embora as árvores capturem carbono durante toda a vida, o impacto mais significativo ocorre entre cinco e dez anos após o plantio, período de crescimento mais acelerado.

Entre os benefícios ambientais do corredor, Saldiva destacou a redução das ilhas de calor, o aumento da permeabilidade do solo e a atuação das espécies vegetais como filtros mecânicos e químicos da poluição. Segundo ele, quanto mais densa for a vegetação, maior será a capacidade de filtragem e redução do ruído urbano.
“E tem um aspecto que eu acho fundamental, que é o educacional: colocar uma impressão digital de que um Corredor não precisa ser feio, falar da importância desse capital intangível que é a responsabilidade social”, afirmou.

Espécies e georreferenciamento

A escolha das espécies foi um dos maiores desafios do projeto, segundo Sonia Lima. A implantação da floresta urbana linear exigiu mudas nativas capazes de resistir às condições de áreas densamente urbanizadas e ao intenso fluxo de veículos e passageiros.
Hoje, toda a arborização do Corredor é cadastrada e georreferenciada em uma plataforma de monitoramento por imagens de satélite, que acompanha o desenvolvimento das árvores e mede os impactos ambientais da iniciativa.
Além dos ganhos ambientais, o projeto busca promover impacto social e educativo. A empresa realiza ações de plantio com colaboradores, passageiros e moradores da região. Segundo a Next Mobilidade, a presença das áreas verdes também contribui para o bem-estar psicológico dos usuários do transporte coletivo.

Impactos da poluição na saúde humana

Durante a palestra, Saldiva alertou que os efeitos da poluição atmosférica sobre o organismo humano são hoje mais severos do que no passado. “O tempo que se passa no corredor de trânsito aumentou muito, ou seja, um trajeto que se fazia em 15 minutos leva 3 horas hoje. Estamos cercados por pequenos canos de escapamento. As chaminés das fábricas cederam espaço para as novas chaminés, que são os corredores de tráfego”, disse. Segundo o médico, os níveis de poluição próximos aos corredores viários podem ser até cinco vezes maiores do que a média registrada na cidade.
Como patologista, Saldiva realiza entre 50 e 60 autópsias por dia na Saúde Pública da USP. “E aí falamos com a família, questionamos se a pessoa era fumante ou não, se era fumante passivo, e percebemos que as pessoas ‘fumam’ o equivalente a 0,7 cigarros por hora no trânsito”, afirmou.

O especialista destacou ainda que cerca de 7 milhões de pessoas morrem anualmente no mundo em decorrência da poluição do ar. Na cidade de São Paulo, são aproximadamente 4,5 mil mortes por ano; na região metropolitana, cerca de 18 mil. “Temos uma tatuagem de fuligem dentro dos pulmões. É uma cicatriz, que dá para ver e medir. Se pensarmos que uma pessoa demora, em média, 3 horas para ir e voltar na cidade de São Paulo, ela fuma o equivalente a quase dois cigarros. Deixar de fumar ou sair de perto do fumante é uma iniciativa individual, mas e a gestante que deixou de fumar para proteger o feto? Como ela se protege? E quem leva mais tempo na rua ou mora longe do emprego? Geralmente, quem é mais pobre sofre uma agressão da qual não temos como nos proteger”, explicou.

Além de agravar doenças respiratórias, o patologista também alertou para a relação entre poluição e câncer. “Vinte por cento dos casos de câncer de pulmão ocorrem em não fumantes”, afirmou. “E um tipo diferente, associado à poluição do ar, chamado adenocarcinoma, é mais comum em mulheres e tem uma assinatura de mutações diferente da causada pelo cigarro.”
O especialista ressaltou que a poluição do ar atinge de forma mais severa os grupos mais vulneráveis. “Em um cenário no qual a população está envelhecendo, aumentaremos ainda mais a fragilidade da nossa população.”

Ônibus elétricos ampliam benefícios ambientais

A estratégia de sustentabilidade da Next Mobilidade vai além da arborização. Parte da frota do Corredor ABD é composta por ônibus elétricos, considerados fundamentais para reduzir a emissão de gases de efeito estufa.
Saldiva destacou a importância da eletrificação do transporte público. “O transporte público elétrico de alta eficiência, os corredores e o metrô, são as únicas alternativas sustentáveis.”

De acordo com a empresa, os veículos elétricos representam hoje o principal agente de redução das emissões de carbono no sistema de transporte. Em comparação aos ônibus movidos a diesel, o impacto sobre a qualidade do ar é significativamente menor, trazendo reflexos diretos para a saúde pública.

Reconhecimento

O projeto do Corredor Verde também vem recebendo reconhecimento nacional. Em 2025, durante a COP30, realizada em Belém (PA), o Corredor Verde Metropolitano de São Paulo foi incluído pelo Ministério das Cidades no Catálogo Nacional de Iniciativas Climáticas Urbanas.
O reconhecimento destacou o corredor como modelo de floresta urbana integrada ao ciclo sustentável do carbono e às políticas de mobilidade de baixa emissão.

BRT-ABC também contará com floresta urbana linear

A integração entre transporte limpo e floresta urbana deu origem ao conceito do “Corredor Verde Metropolitano de Transporte Sustentável”, modelo que já começa a inspirar novos projetos. A Next informou que a arborização do futuro BRT-ABC já está em andamento e que estudos estão sendo feitos no local para definir quais espécies são adequadas para aquele corredor.

 

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