Empatia sobre duas rodas: motorista de aplicativo acolhe jovem cega após sucessivas rejeições em São Bernardo
Empatia sobre duas rodas: motorista de aplicativo acolhe jovem cega após sucessivas rejeições em São Bernardo

O que era para ser apenas mais uma corrida comum no dia de trabalho do motorista de aplicativo Renato Rodrigues de Almeida, de 40 anos, transformou-se em uma missão de solidariedade e cidadania pelas ruas de São Bernardo do Campo. Há cerca de um mês, o condutor aceitou uma viagem de Uber Moto com partida em uma clínica na região central da cidade, onde se deparou com Grasielle Elizabeth Rufino Rodrigues, uma jovem de 25 anos com deficiência visual crônica.
Ao embarcar, o desabafo da jovem expôs uma realidade cruel enfrentada por pessoas com deficiência na região: “Que bom que você não rejeitou a corrida”, disse ela. Grasielle relatou que, frequentemente, motoristas de aplicativo aceitam a viagem, mas cancelam assim que chegam ao local e percebem sua condição física ou o fato de ela estar saindo de um tratamento médico.
“Eles chegam perto, veem que tenho deficiência visual e que saí da hemodiálise, e simplesmente cancelam”, lamenta a jovem.
Uma rotina de superação e barreiras
Aos 25 anos recém-completados, Grasielle enfrenta uma dura batalha pela saúde. Diagnosticada com diabetes infanto-juvenil entre os 6 e 7 anos de idade, a jovem sofreu graves complicações da doença recentemente. Há cerca de dois anos, ela perdeu a visão e o funcionamento dos dois rins, o que a obriga a passar por sessões de hemodiálise três vezes por semana (segundas, quartas e sextas-feiras).
Dependente do transporte por aplicativo para se locomover entre as consultas e sua residência, no bairro Cooperativa, ela encontrava no preconceito e na falta de empatia dos motoristas mais um obstáculo invisível.

Além do aplicativo: o nascimento de uma amizade
Morador do bairro Alvarenga, casado e pai de duas filhas, Renato não aceitou a indiferença dos colegas de profissão. Desde o primeiro encontro, ele decidiu fazer a diferença na rotina de Grasielle .
Agora, o compromisso vai muito além das taxas do aplicativo. Renato passou a se organizar para buscar a jovem sempre nos mesmos horários (por volta das 15h10) na clínica de hemodiálise, garantindo que ela chegue em segurança em casa ou em outros atendimentos médicos — como as consultas odontológicas que ela realiza na unidade de saúde ao lado da UPA Alvarenga.
Mais do que transporte, Renato e sua família decidiram proporcionar momentos de leveza para a jovem. Na última sexta-feira, o motorista a levou para passear na Rua Marechal Deodoro.
Um dia diferente
Durante o passeio, eles pararam para comer um tradicional cachorro-quente prensado. “Ela nunca tinha comido e amou. É uma forma de distrair um pouco. Ela só tem 25 anos, a história dela é muito triste, então fazemos o que podemos para ajudar”, conta Renato.
Disposto a dar visibilidade ao caso e cobrar mais respeito das plataformas de transporte e dos motoristas de aplicativo com as pessoas com deficiência, Renato tem registrado o dia a dia e os passeios com Grasielle em fotos e vídeos. O motorista se coloca à disposição para que a história seja gravada e divulgada, servindo de exemplo de que a empatia pode — e deve — guiar o trânsito e as relações humanas.
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