Colômbia confirma resultado do 1º turno eleitoral após acusações de fraude
Colômbia confirma resultado do 1º turno eleitoral após acusações de fraude

A autoridade eleitoral da Colômbia [1] confirmou nesta quinta-feira (4) o resultado oficial do primeiro turno das eleições presidenciais, com números praticamente idênticos à apuração preliminar divulgada horas após o encerramento da votação, realizada no último domingo (31). A confirmação ocorre após acusações de fraude feitas pelo presidente Gustavo Petro [2] e por seu candidato à sucessão, sem apresentação de provas.
Segundo o Conselho Nacional Eleitoral (CNE), o ultradireitista Abelardo de la Espriella obteve 10.366.143 votos, o equivalente a 43,78% dos votos válidos, enquanto o adversário Iván Cepeda registrou 9.703.921 votos, alcançando 40,98%.
Os números apresentam variação mínima em relação à apuração preliminar anunciada no domingo, quando ambos apareciam com 43,74% e 40,9%, respectivamente.
Com a validação do resultado oficial, a Registradoria Nacional divulgou nesta sexta-feira (5) o modelo da cédula eleitoral do segundo turno, marcado para o próximo 21 de junho, quando mais de 41 milhões de colombianos estarão aptos a votar.
Resultado oficial na Colômbia repete apuração preliminar
A semelhança entre a contagem inicial e a oficial não é considerada incomum no sistema eleitoral da Colômbia, onde historicamente a diferença entre os números preliminares e finais costuma ser pequena.
Ainda assim, a divulgação ganhou peso político diante das alegações levantadas por Gustavo Petro e Iván Cepeda, que questionaram a legitimidade da apuração após o primeiro turno.
“Como presidente, não aceito os resultados”, afirmou Petro horas após o fechamento das urnas.
Já Cepeda declarou a apoiadores que haveria uma discrepância no cadastro eleitoral.
“Hoje tivemos 10 milhões de votos mal contados na Colômbia. Somos a principal força política, sem dúvida”, afirmou o candidato.
Entenda as acusações de fraude eleitoral
As denúncias apresentadas pela ala governista estavam relacionadas a um suposto aumento artificial de aproximadamente 800 mil eleitores registrados no sistema utilizado para a apuração preliminar.
Segundo Petro, também teria ocorrido uma ampliação atípica do número de mesas e locais de votação.
No entanto, plataformas independentes de checagem de dados contestaram a tese e apontaram que o número oficial de eleitores aptos a votar permaneceu fixado desde 30 de abril, totalizando 41.421.973 cidadãos, sendo 40 milhões no território colombiano e cerca de 1,4 milhão no exterior.
A divergência apontada pelo governo teria origem em projeções logísticas utilizadas pelo sistema eleitoral para evitar falta de material de votação, especialmente em consulados internacionais.
De acordo com o portal colombiano La Silla Vacía, os registros nos consulados são multiplicados por dia de votação no exterior, o que explicaria a diferença de aproximadamente 885 mil eleitores projetados apontada por Petro.
Observadores internacionais descartam irregularidades
Missões internacionais de observação eleitoral afirmaram não ter identificado indícios de irregularidades relevantes no processo eleitoral colombiano.
“Nossos observadores avaliaram todas as fases do processo como transparentes, organizadas e tranquilas, e confirmaram que os representantes dos candidatos puderam realizar seu trabalho sem restrições”, informou a missão da União Europeia.
A avaliação é compartilhada pela Organização dos Estados Americanos (OEA), pela Missão de Observação Eleitoral da Colômbia e pelo Centro Carter, que também não corroboraram as acusações de fraude.
Candidato recua de acusações antes do segundo turno
Após a repercussão negativa das denúncias, Iván Cepeda recuou no dia seguinte ao pleito e afirmou não ter encontrado elementos suficientes para sustentar a narrativa de fraude.
“Até o momento, devo afirmar categoricamente que não encontramos nenhuma evidência ou indício de irregularidades flagrantes”, declarou a jornalistas em Bogotá.
“Não há irregularidades de dimensões suficientes para falar de fraude”, acrescentou.
Enquanto isso, Gustavo Petro manteve o discurso de desconfiança em relação ao sistema eleitoral e seguiu publicando nas redes sociais conteúdos que, segundo ele, apontariam inconsistências no processo.
Segundo turno na Colômbia será realizado em 21 de junho
Com o resultado oficial consolidado, a disputa presidencial da Colômbia segue agora para o segundo turno, marcado para 21 de junho.
O cenário eleitoral permanece polarizado após uma campanha marcada por tensão política, troca de acusações e debate sobre os rumos institucio
[1] https://pt.wikipedia.org/wiki/Col%C3%B4mbia
[2] https://abcdoabc.com.br/gustavo-petro-chega-cambaleante-a-seu-1o-ano-de-poder-na-colombia/
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