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Tarifas de Donald Trump afetam exportações do Ceará, ES e SC

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Tarifas de Donald Trump afetam exportações do Ceará, ES e SC

Tarifas de Donald Trump afetam exportações do Ceará, ES e SC
As novas sobretaxas impostas pelo governo de Donald Trump [1] atingem de forma desigual a economia dos estados brasileiros. Ceará, Espírito Santo e Santa Catarina lideram a lista das unidades da federação mais afetadas pelas medidas tarifárias adotadas pelos Estados Unidos, aponta um levantamento detalhado com base nos dados oficiais do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic [2]).

O impacto regional difere conforme a pauta exportadora e a dependência do mercado externo de cada localidade. Enquanto setores do Centro-Oeste registram impacto brando devido à isenção da carne bovina, a indústria pesada e o setor extrativista do Nordeste e Sudeste enfrentam barreiras severas na comercialização com o parceiro norte-americano.

Efeitos do protecionismo de Donald Trump na economia cearense

O Ceará figura entre os cenários mais preocupantes no comércio internacional. O estado envia 46% de todas as suas vendas externas para o mercado norte-americano, sendo que 91,3% desse volume comercializado foi atingido pelas novas cobranças. Na prática, cerca de 42% de todas as exportações globais do estado passam a arcar com alíquotas adicionais decorrentes das políticas comerciais de Donald Trump.

A forte presença da siderurgia na pauta cearense explica a alta vulnerabilidade do estado. Além de produtos semimanufaturados de ferro e aço, itens como mel, granito e calçados de borracha foram diretamente afetados.

“O Ceará foi muito afetado desde o início das tarifas porque grande parte da sua pauta de exportação é da indústria siderúrgica, tarifada pela seção 232. Além disso, a pauta exportadora é muito concentrada nos EUA”, destaca João Mário de França, pesquisador do FGV Ibre.

Apesar de o grau de abertura da economia cearense ser de 9,8% em relação ao seu Produto Interno Bruto (PIB), o risco reside no encadeamento produtivo. Segundo Carlos Nathaniel Rocha Cavalcante, pesquisador da Fipe e mestre em economia pela USP, um solavanco nas vendas do aço não se limita aos valores brutos exportados.

“Como a siderurgia mobiliza energia, logística, insumos, serviços especializados e emprego ao longo da cadeia, um choque sobre as exportações de aço dificilmente fica restrito ao valor vendido ao exterior. Ele pode se propagar para fornecedores, trabalhadores e atividades ligadas à operação industrial e portuária”, pondera Cavalcante.

Alto grau de abertura expõe Espírito Santo e Santa Catarina

O Espírito Santo apresenta o maior grau de abertura comercial do país, com a soma de exportações e importações representando 62,7% do PIB estadual. No território capixaba, os impostos anunciados pela administração de Donald Trump alcançam 68,6% do valor vendido aos americanos, comprometendo 18,5% de todas as exportações totais da região. Os itens mais atingidos englobam semimanufaturados de ferro, pedras de cantaria e pastas químicas de madeira.

“A abertura comercial do Espírito Santo é praticamente o dobro da média brasileira, e há produtos com muito peso na pauta exportadora. As tarifas afetam em cheio a nossa economia”, analisa Antônio Ricardo Freislebem da Rocha, diretor-geral do Instituto Jones dos Santos Neves.

Entretanto, especialistas ressaltam que o aumento tarifário promovido por Donald Trump não significa necessariamente o encerramento das exportações. Para bens sem substitutos diretos no mercado global, os compradores americanos tendem a absorver parte dos custos adicionais.

Em Santa Catarina, terceira unidade federativa mais impactada, 9,7% das vendas globais do estado estão sob o guarda-chuva das tarifas. Com um grau de abertura de 45,3%, os catarinenses veem produtos automotivos, freios, acessórios de carroçarias e derivados de madeira sofrerem os reajustes impostos pelos EUA.

Assimetria regional nas taxas impostas por Donald Trump

A análise das sobretaxas revela uma marcante disparidade geográfica nos efeitos das decisões tomadas por Donald Trump. No Estado de São Paulo, maior exportador absoluto para os norte-americanos, o impacto direto foi mitigado pela isenção concedida aos setores aeronáutico e de suco de laranja. Com isso, apenas 7,7% das vendas totais paulistas estão sob incidência dos tributos.

Na Região Centro-Oeste, estados como Mato Grosso do Sul (1,4%), Goiás (1,2%) e Mato Grosso (0,2%) registraram o menor índice de sobretaxamento nas exportações totais. A manutenção da isenção sobre as carnes bovinas preservou os principais produtos da pauta exportadora daquelas localidades.

Diante do cenário assimétrico imposto pelas medidas de Donald Trump, analistas indicam que os estados afetados deverão acelerar estratégias de diversificação de mercados consumidores e buscar novos acordos bilaterais para reduzir a dependência da economia norte-americana.

[1] https://abcdoabc.com.br/donald-trump-diz-cessar-fogo-ira-acabou/
[2] https://www.gov.br/mdic/pt-br

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