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El Niño pode encarecer alimentos em até 20%, diz estudo

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El Niño pode encarecer alimentos em até 20%, diz estudo

El Niño pode encarecer alimentos em até 20%, diz estudo
A inflação de alimentos pode atingir picos severos no Brasil nos próximos seis meses sob a influência direta do fenômeno climático El Niño [1]. Um modelo matemático desenvolvido pelo Rabobank [2], baseado no histórico do evento no país, projeta aumentos expressivos nos supermercados.

O estudo indica que os itens in natura lideram a vulnerabilidade. Em um cenário de forte intensidade do fenômeno, a categoria pode registrar alta de 19,9% nos preços finais, puxando o custo da alimentação no domicílio para um avanço contínuo. Eventos moderados limitariam o impacto, com os produtos frescos sofrendo 13,4% de aumento na média.

Hortaliças sofrem o impacto financeiro mais rápido porque possuem ciclos de produção curtos. As alterações no volume de chuvas e nas temperaturas prejudicam as colheitas e cortam a oferta quase imediatamente nas prateleiras.

Categorias e o avanço da inflação de alimentos

Produtos semi-elaborados como arroz e feijão sentem os reflexos gradualmente. O encarecimento ocorre na base dos insumos, repassados pelas indústrias de forma mais lenta do que nas mercadorias frescas vendidas nas feiras.

Os itens industrializados registram variações de valores mais amenas. Os custos de prateleira desses produtos dependem de uma cadeia complexa que envolve processamento, embalagem e transporte, diluindo o choque meteorológico inicial.

Pesquisadores basearam a previsão comparando a inflação de alimentos durante episódios passados com o Índice Oceânico Niño. A Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) aponta cerca de 80% de probabilidade de ocorrência de um El Niño forte no fim deste ano.

Impactos locais e pressão no IPCA geral

O cenário climático mais intenso adicionaria cerca de 0,83 ponto percentual ao IPCA, o índice oficial de preços do governo federal. As regiões metropolitanas de Porto Alegre, Curitiba, São Paulo, Rio de Janeiro, Goiânia, Brasília, Fortaleza e Belém concentrariam as maiores altas no curto prazo.

As capitais Salvador e Recife teriam reflexos iniciais menores, absorvendo o repasse econômico de maneira gradual.

“Entre os principais produtos que podem ser afetados estão milho, café, frutas, laranja, cana-de-açúcar, trigo e arroz”, explicou Cesar Castro Alves, gerente da Consultoria Agro do Itaú BBA.

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) alerta que a pecuária sofrerá no Centro-Oeste e no Norte pela falta de chuvas nas pastagens. O Sul pode beneficiar culturas de inverno com a alta umidade. O Nordeste encontra vantagens estratégicas na colheita do feijão sob clima seco.

Os consumidores precisarão adaptar suas cestas básicas frente ao novo cenário econômico. A trajetória da inflação de alimentos dependerá da força real das anomalias climáticas nas próximas safras nacionais.

[1] https://abcdoabc.com.br/governo-amplia-acoes-el-nino-plano-regional/
[2] https://www.google.com/url?sa=t&rct=j&q=&esrc=s&source=web&cd=&cad=rja&uact=8&ved=2ahUKEwi34d7V-baWAxUKpJUCHZo2IeoQFnoECBgQAQ&url=https%3A%2F%2Fwww.rabobank.com.br%2F&usg=AOvVaw0FgQ9QMazQiXf5dwDOxSlT&opi=89978449

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