Com chuvas de setembro, reservatórios que abastecem o Grande ABC ganham 142 bilhões de litros de água
Os quatro reservatórios que abastecem o Grande ABC ganharam 142,2 bilhões de litros de água nos primeiros 18 dias de setembro, um dos meses mais chuvosos da história do Estado de São Paulo. Os dados são do Painel de Mananciais da Sabesp e foram analisados pelo Diário do Grande ABC.
Entre os dias 1º e 18 de setembro, o Sistema Alto Tietê recebeu 54,8 bilhões de litros, o Cantareira acumulou 68 bilhões e o Rio Claro, 1,5 bilhão. O Rio Grande, principal manancial responsável pelo abastecimento de cerca de 1,5 milhão de pessoas na região, recebeu 17,9 bilhões de litros e opera com 92% da capacidade total, na faixa considerada normal.
O Cantareira voltou à margem dos 40,1% do volume útil, mas segue em faixa de alerta, a segunda pior. Uma eventual subida para a faixa de atenção será avaliada no fim do mês pela SP Águas, o que poderia permitir a retirada de mais metros cúbicos por segundo e melhorar o abastecimento.
O contraste com o ano anterior é grande: no mesmo período de 2025, os quatro mananciais haviam perdido 64,3 bilhões de litros. Em agosto deste ano, a redução foi de 33,7 bilhões de litros. Influenciado pelo Super El Niño, o Grande ABC acumulou 257 milímetros de chuva nas duas primeiras semanas de setembro — mais que o dobro dos cerca de 125 milímetros esperados para o mês inteiro.
Para o professor de Recursos Hídricos da Unesp Jefferson Nascimento, o cenário representa um alívio, mas não autoriza relaxamento das medidas de contenção de consumo. “O início de outubro configura o começo da estação mais chuvosa para a Região Metropolitana de São Paulo e deve ir até março. Isso não significa que deve haver um relaxamento das medidas já tomadas, pois alguns modelos preveem que até o final do ano o Cantareira chegue a um pouco mais de 50%, dependendo da continuidade e quantidade das chuvas”, avaliou o especialista ao Diário.
Desde agosto de 2025, a Sabesp mantém a Gestão de Demanda Noturna (GDN) de 8 horas, que reduz a pressão da água entre 22h e 6h. Segundo a empresa, a medida já economizou 193 bilhões de litros. A SP Águas afirma que o cenário ainda exige monitoramento constante e mantém o uso de estruturas de transferência, como a interligação entre a bacia do Paraíba do Sul e o Cantareira, que move 8,5 metros cúbicos por segundo.
Cada sistema abastece parte diferente da região: o Alto Tietê atende parte de Santo André e Mauá; o Rio Claro também atende Ribeirão Pires; o Cantareira contribui para Santo André e São Caetano; e o Rio Grande abastece Santo André, São Bernardo e Diadema.
Fontes:
- – Diário do Grande ABC — https://www.dgabc.com.br/Noticia/4348079/com-chuvas-reservatorios-que-abastecem-a-regiao-ganham-142-bilhoes-de-litros-de-agua
- – Sabesp, Painel de Mananciais — https://mananciais.sabesp.com.br/
