João Amoêdo declara voto em Lula no segundo turno
João Amoêdo declara voto em Lula no segundo turno

O banqueiro e fundador do partido Novo, João Amoêdo [1], formalizou seu apoio à candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva [2] (PT) na disputa presidencial de segundo turno. A manifestação pública de voto, concedida em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, apoia-se no argumento de contenção de eventuais retrocessos democráticos perante a postulação encabeçada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL).
A postura adotada por João Amoêdo repete o movimento de oposição ao campo bolsonarista adotado no pleito de 2022, embora venha acompanhada de ressalvas expressivas à atual condução econômica do Palácio do Planalto. Para o economista, a conjuntura nacional impõe um dilema entre modelos com deficiências de gestão e alternativas que considera lesivas ao equilíbrio entre os Poderes.
Avaliação institucional e críticas ao bolsonarismo
Ao contextualizar a decisão política, João Amoêdo sustentou que a candidatura liberal-conservadora do PL representa um perigo de continuidade de investidas contra a ordem constitucional. O ex-dirigente partidário frisou a influência do ex-presidente Jair Bolsonaro na articulação de campanha do parlamentar fluminense como elemento determinante para o voto útil.
“Acho que estamos, de novo, indo para uma solução muito ruim, pior ainda que em 2022, porque o Flávio me preocupa tanto ou mais que o pai dele. E o Lula teve, em quatro anos, a chance de trabalhar melhor para reduzir essa polarização, mas não fez nada disso”, declarou o entrevistado.
Em sua análise sobre o adversário petista, João Amoêdo questionou a capacidade técnica e as entregas do senador ao longo de sua trajetória legislativa. “O histórico do Flávio é muito ruim. Ele não tem nenhuma entrega para o Brasil, para a população, e representa uma família que tem como único objetivo se perpetuar no poder”, apontou.
O empresário pontuou ainda os desdobramentos de uma eventual vitória da oposição: “Não podemos esquecer que Jair Bolsonaro foi condenado por uma tentativa de golpe e uma das pautas principais do Flávio é trazê-lo de volta, inclusive já disse que vai governar com ele, subir a rampa, e todo aquele negócio”.
Responsabilidade fiscal e perspectivas econômicas
Apesar do endosso eleitoral no segundo turno, a declaração de voto de João Amoêdo não isentou o governo federal de severas críticas quanto ao rigor orçamentário. O banqueiro sustentou que a ausência de corte de gastos estruturais compromete o combate duradouro à desigualdade socioeconômica.
“O Lula claramente não tem um compromisso com a responsabilidade fiscal, então a forma dele de ficar no poder é fazer gastos que dão pouco retorno e que são voos de galinha para o Brasil. Com isso, a gente não combate efetivamente e de forma sustentável a pobreza”, avaliou.
Ainda assim, João Amoêdo estabeleceu uma hierarquia de prioridades entre governabilidade e integridade democrática: “Mas pior do que isso é que a família Bolsonaro tem a intenção de se perpetuar no poder, subvertendo o Estado democrático de Direito. Isso é o que me preocupa. Entre alguém que é irresponsável fiscalmente e alguém que não tem o compromisso com a democracia, eu prefiro a primeira opção”.
Sobre os efeitos das despesas públicas na atividade produtiva, o financista alertou que distorções tributárias afetam as camadas mais vulneráveis. “Quando você não tem responsabilidade fiscal, diferentemente do que ele fala, essa conta sempre estoura nos mais pobres, estoura na inflação, estoura nas taxas de juros mais altas e na dificuldade do sujeito de tocar um pequeno negócio, reduzindo a oferta de emprego”, destacou.
Projeções de gestão e perfil do candidato liberal
Ao projetar um eventual mandato presidencial do senador Flávio Bolsonaro, o engenheiro desqualificou expectativas do mercado financeiro a respeito de privatizações ou reformas liberalizantes.
“O Flávio é uma pessoa que não teve nenhuma produção parlamentar relevante, nunca teve preocupação com responsabilidade fiscal, nunca teve um projeto de segurança, que fala em tirar a numeração das armas, que é uma coisa que mais ajuda o bandido do que atrapalha”, enfatizou.
Para ele, a falta de histórico de enfrentamento a grupos de pressão impede avanços nas contas do país. “Acho que um governo dele vai ser uma frustração para aqueles que estão acreditando que ele vai colocar o Brasil nos trilhos, que vai fazer reformas e que vai privatizar. Eu não acredito em nada disso. E acho que a gente tem que ter uma atenção grande na política externa, como vai ser o relacionamento dele com os Estados Unidos, se vai ser dentro da subserviência que ele sinalizou. Vamos ter poucos avanços e muita frustração”, concluiu.
Engenheiro civil graduado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e administrador pela PUC-Rio, o ex-executivo atuou em instituições bancárias como Citibank, Unibanco e Itaú BBA. Em 2018, obteve 2.679.745 votos (2,50% dos válidos), ficando em 5º lugar na corrida ao Planalto, tendo rompido e deixado a legenda que ajudou a fundar no final de 2022.
[1] https://abcdoabc.com.br/fundador-do-novo-joao-amoedo-anuncia-desfiliacao-do-partido/
[2] https://www.instagram.com/lulaoficial/?hl=pt-br
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