Após um ano, 5 réus presos aguardam Justiça decidir se eles irão a júri acusados de matar e queimar família no ABC Paulista

Casal de empresários Romuyuki e Flaviana Gonçalves e o filho deles, Juan Victor, foram assassinados em 27 de janeiro de 2020; corpos dos três foram encontrados carbonizados no carro da família. Crimes tiveram envolvimento de filha das vítimas.

As namoradas Anaflávia Gonçalves e Carina Ramos de Abreu; os irmãos Juliano e Jonathan Ramos; e o vizinho Guilherme Silva. Os cinco são acusados de matar uma família no ABC em 2020 — Foto: Reprodução/Redes sociais e arquivo pessoal
As namoradas Anaflávia Gonçalves e Carina Ramos de Abreu; os irmãos Juliano e Jonathan Ramos; e o vizinho Guilherme Silva. Os cinco são acusados de matar uma família no ABC em 2020 — Foto: Reprodução/Redes sociais e arquivo pessoal

Os cinco réus presos acusados de roubar, matar e queimar uma família em janeiro de 2020 no ABC Paulista aguardam a Justiça decidir se irão a júri um ano após os crimes. O caso, que completa um ano nesta quarta-feira (27), teve grande repercussão também porque a filha das vítimas estava envolvida nos assassinatos.

Segundo o Ministério Público (MP), o casal de empresários Romuyuki Veras Gonçalves, de 43 anos, e Flaviana de Meneses Gonçalves, de 40, e o filho deles, o estudante Juan Victor Gonçalves, de 15, foram mortos com golpes na cabeça durante um assalto na casa onde moravam, no dia 27 de janeiro do ano passado, em um condomínio fechado em Santo André.

Os corpos foram encontrados carbonizados no dia seguinte pela polícia, em 28 de janeiro de 2020, em São Bernardo do Campo. Estavam dentro do carro da família, que havia sido incendiado.

Entre os detidos preventivamente pelo crime, estão a filha do casal e irmã do garotoAnaflávia Martins Gonçalves, e a namorada dela, Carina Ramos de Abreu. Também foram presos os irmãos Juliano Oliveira Ramos Júnior e Jonathan Fagundes Ramos, que são primos de Carina. O quinto preso é Guilherme Ramos da Silva, vizinho dos irmãos Ramos.

Segundo a acusação feita pelo Ministério Público, três criminosos armados entraram no imóvel com a ajuda da filha do casal e da namorada dela. Os cinco queriam roubar R$ 85 mil que estariam num cofre, mas, como não encontraram o dinheiro, decidiram levar pertences das vítimas e matá-las.

Os cinco foram denunciados pela Promotoria por roubo, assassinato, ocultação de cadáver e associação criminosa.

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O grupo foi preso durante as investigações da Polícia CivilCâmeras de segurança haviam gravado a entrada da quadrilha na residência das vítimas (veja acima).

Além disso, os investigados confessaram envolvimento no assalto e foram indiciados pelos crimes. No entanto, em relatos durante a reconstituição do caso, eles divergiram sobre quem matou a família e colocou fogo no carro.

Anaflávia, de 24 anos, filha do casal e irmã do adolescente mortos, e a namorada dela, Carina, de 26 anos, acusam os irmãos Juliano, de 22, e Jonathan, de 23, de matarem a família e explodirem o veículo onde as vítimas estavam.

Juliano e Jonathan, por sua vez, acusam a prima Carina de matar os empresários e o adolescente e depois queimá-los.

Guilherme, de 19 anos, vizinho dos irmãos Ramos, acusa Juliano de querer assassinar o casal e o filho. Guilherme teria participado mais diretamente do roubo, e não dos assassinatos.

Justiça
Romuyuki, Flaviana e Juan foram encontrados carbonizados no ABC — Foto: Reprodução/TV Globo

Romuyuki, Flaviana e Juan foram encontrados carbonizados no ABC — Foto: Reprodução/TV Globo

Em setembro, outubro e dezembro de 2020, ocorreram três sessões da audiência de instrução do caso na Justiça. Por causa da pandemia de coronavírus, ela foi feita por videoconferência, com os réus acompanhando tudo por monitores de vídeo nas prisões onde estão detidos preventivamente.

Essa etapa do processo serviu para o juiz Lucas Tambor Bueno, da Vara do Júri e das Execuções de Santo André, ouvir depoimentos de testemunhas, além dos argumentos da acusação e da defesa dos réus.

Durante o interrogatório dos acusados, somente Anaflávia e Carina falaram – as namoradas confirmaram a versão que já haviam dado na reconstituição do caso. Os irmãos Ramos e Guilherme ficaram em silêncio.

Com o fim da audiência de instrução, o juiz do caso decidirá se há elementos para levar os réus a júri popular ou não. Em caso afirmativo, o juiz marcará uma data para o julgamento. Outras duas possibilidades são: solicitação de mais provas ou absolvição sumária. Até a última atualização desta reportagem, não havia sido estabelecida uma decisão a esse respeito.

Crimes dolosos (intencionais) contra a vida, como o homicídio cometido contra a família no ABC, são julgados por sete jurados. Ao magistrado, cabe apenas dar a sentença de absolvição ou condenação. A pena máxima para assassinato é de 30 anos de prisão e pode ser aumentada, a depender das qualificadoras envolvidas.

O que dizem as defesas

Ao G1, o advogado Lucas Domingos, que defende a filha do casal assassinado e a namorada dela, disse que “tanto a Carina quanto a Anaflávia confessam apenas o roubo“. “As próprias provas dos autos, inclusive a pericial, demonstram a participação da Carina e Anaflávia apenas no roubo”, afirmou ele.

O advogado Leonardo José Gomes, que defende Guilherme, disse: “Nesse um ano de processo, uma coisa ficou bem clara: Guilherme em nada contribuiu para os homicídios. Em um ano de processo, nem temos uma sentença de pronúncia ou não, não temos liberação dos bens, não temos nada certo”.

A defesas dos irmãos Ramos não havia sido encontrada para comentar o assunto até a última atualização desta reportagem.

Fonte:
https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2021/01/27/apos-um-ano-5-reus-presos-aguardam-justica-decidir-se-eles-irao-a-juri-acusados-de-matar-e-queimar-familia-no-abc-paulista.ghtml

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