Cidades do ABC Paulista farão lockdown das 21h às 4h após alta das mortes e da ocupação de leitos para Covid-19

O fechamento total ocorrerá em sete municípios a partir de sábado (27): Santo André, São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra. Comércio fechará às 21h, com exceção de farmácias e equipamentos de saúde, e transporte público municipal será encerrado às 22h, com retorno às 4h.

Os sete prefeitos das cidades que formam o Consórcio Intermunicipal do ABC Paulista, na Grande SP, decidiram em reunião nesta quarta-feira (24) fazer lockdown das 21h às 4h, a partir de sábado (27). A decisão foi motivada pela alta da média de mortes por Covid-19 na região e pela alta taxa de ocupação de leitos de UTI, que é sem precedentes nessas cidades em onze meses de pandemia.

O lockdown, que em português significa “bloqueio total ou confinamento”, é um protocolo de isolamento que impede o movimento de pessoas ou cargas. A medida já foi tomada em outras cidades paulistas, como Araraquara, que tem atualmente taxa de 100% de ocupação de leitos de UTI e enfermaria.

As sete cidades do ABC que serão afetadas pelo lockdown são: Santo André, São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra. O fechamento total desses municípios vai valer até o dia 7 de março, segundo o Consórcio Intermunicipal do Grande ABC.

Nos últimos dias, enquanto o estado de São Paulo vê uma redução na média móvel de mortes, a maioria das cidades do ABC tem tido aumento. Em São Bernardo do Campo, por exemplo, o aumento na média de óbitos é de 400%. A taxa de ocupação de leitos de UTI aumenta a cada dia em toda a região (veja mais abaixo).

Em Mauá, a taxa é de 90% e em Ribeirão Pires o hospital de campanha está com 100% de ocupação.

Confira as regras válidas para as sete cidades do ABC paulista a partir de sábado (27):

  • Todos os estabelecimentos deverão fechar às 21h, com exceção de farmácias e equipamentos de saúde;
  • O transporte coletivo municipal será encerrado às 22h com retorno às 4h, com exceção dos equipamentos geridos pelo governo do estado;
  • As medidas valem para finais de semana e durante a semana, até o dia 7 de março;
  • O calendário de volta às aulas será definido pelas prefeituras conforme as particularidades de cada município.

Para os prefeitos das cidades do ABC, as medidas anunciadas pelo governador João Doria (PSDB) em coletiva de imprensa nesta quarta-feira (24) são quase inócuas, já que o transporte público pode continuar funcionando e as pessoas não serão impedidas de sair de casa. Doria determinou restrição de circulação das 23h às 5h em todo o estado a partir de sexta-feira (26).

O presidente do Consórcio das Cidades do ABC, Paulo Serra, disse que na quinta-feira (4) haverá uma nova reunião dos prefeitos para reavaliação.

Como todos os boletins e os estudos epidemiológicos mostram que houve aumento muito expressivo das internações nas UTIs e uma mudança no perfil da doença, que tem afetado o público mais jovem de maneira muito significativa, essas medidas são para conter esse público que circula mais no período noturno, por isso essa restrição das 21h até as 4h”, afirmou.

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Situação grave na região

Mauá está com 90% de ocupação nesta terça-feira (23). Em Santo André, a taxa de ocupação dos leitos é de 75% e as internações subiram 110% na última semana.

Em São Bernardo do Campo a ocupação de leitos chegou a 87% na rede pública e 91% na rede privada na segunda-feira (22). De acordo com a Prefeitura, 25% dos pacientes internados vem de outros municípios. O Hospital Anchieta, que tem 19 leitos para Covid-19, está com todos ocupados nesta terça-feira (23). A cidade não receberá mais pacientes de Mauá e Diadema.

São Bernardo decretou toque de recolher a partir de sábado (27). Segundo o prefeito, Orlando Morando (PSDB), é jeito mais fácil de manter a população em casa e evitar pequenas aglomerações.

“Especialmente nas regiões mais periféricas, quando você põe um toque de recolher não é simplesmente fiscalizar, não pode circular. Isso também é para que possamos evitar as festas familiares, as pequenas e as grandes aglomerações. Os eventos residenciais também têm sido grandes vilões do vírus. Daí a medida do toque de recolher”, afirma.

A cidade também suspendeu a volta às aulas na rede pública e particular.
FOTO: Hospital de Campanha Pedro Dall’Antonia, na cidade de Santo André, na Grande SP, lotado nesta quarta-feira (24). — Divulgação/PMSA
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