Sesc Ipiranga estreia projeto com duas peças de Daniel MacIvor – 2026-04-07 10:35:00
Sesc Ipiranga estreia projeto com duas peças de Daniel MacIvor – 2026-04-07 10:35:00 – 2026-04-07 10:35:00

O Teatro Sesc Ipiranga [1] recebe, a partir de 17 de abril, um projeto que foge da lógica tradicional de temporada e propõe uma experiência expandida de teatro. As peças “Nada é suficiente” e “Comunhão”, do premiado dramaturgo canadense Daniel MacIvor, [2] serão encenadas de forma intercalada, na mesma programação, criando uma espécie de diálogo contínuo sobre relações humanas, finitude e a maneira como cada indivíduo se constrói a partir do outro.
Idealizado pelas atrizes Lúcia Bronstein e Luisa Micheletti, o projeto reúne ainda Magali Biff no elenco e tem direção compartilhada de Pedro Brício e Susana Ribeiro. A proposta não é apenas apresentar dois textos do mesmo autor, mas aprofundar uma investigação cênica em torno de um mesmo eixo temático, fazendo com que as peças funcionem como obras independentes, mas também como espelhos entre si.
Duas peças, uma mesma pergunta sobre quem somos
As montagens partem de uma ideia central. A de que ninguém se constrói sozinho. Cada encontro, cada vínculo, cada relação altera quem somos, muitas vezes de forma irreversível. É a partir dessa premissa que o projeto articula as duas dramaturgias.
Segundo o diretor Pedro Brício, a finitude aparece menos como tragédia e mais como horizonte que atravessa as relações. “O foco real é o encontro. As duas peças investigam como o ser humano se inventa, se potencializa e se descobre a partir do outro”, explica. Ele destaca ainda a força do autor canadense ao encontrar o extraordinário no cotidiano. “MacIvor trabalha esse contraste entre o prosaico e o metafísico, mostrando que o transcendente está aqui, no dia a dia”.
Para Luisa Micheletti, a escolha dos textos nasce justamente desse interesse pela alteridade. “As peças falam sobre a possibilidade de nos transformarmos a partir dos encontros. Uma vez que deixamos o outro nos afetar, não seremos os mesmos”, afirma.
Essa construção ganha ainda mais potência ao colocar em cena personagens complexos, múltiplos e atravessados por experiências que escapam de leituras simplificadas.
Encenação aposta no minimalismo e na força do encontro
Apesar das diferenças de tom entre as obras, a encenação busca uma unidade estética. “Comunhão” se aproxima de um drama mais denso, enquanto “Nada é suficiente” carrega uma leveza maior, com presença de humor e referências musicais. Ainda assim, ambas compartilham uma linguagem que aposta no essencial.
O cenário minimalista, assinado por André Cortez, funciona como base comum para os dois espetáculos, enquanto figurinos e iluminação operam como elementos narrativos. A luz, em especial, assume papel central ao traduzir momentos de revelação e transformação em cena.
Para a diretora Susana Ribeiro, a construção passa pelo detalhe e pela escuta. “Eu me considero uma bordadeira na cena. Gosto de costurar as camadas do não dito para que o elenco se sinta potente”, explica.
O resultado é um teatro que não se apoia em grandes estruturas, mas na presença, na palavra e na relação direta entre as atrizes.
Protagonismo feminino e relações no centro da cena
Um aspecto que atravessa as duas montagens é o protagonismo feminino. Ambos os espetáculos passam no chamado Teste de Bechdel, critério que observa a presença de mulheres com autonomia narrativa em cena. Aqui, elas não apenas estão presentes, mas conduzem a experiência dramática.
Em “Comunhão”, três mulheres em momentos distintos da vida se encontram em diferentes tempos e combinações, atravessadas por temas como fé, vício, doença e reconexão.
(Claus Lehmann/Divulgação)
Já em “Nada é suficiente”, a narrativa acompanha, ao longo de duas décadas, a relação entre duas mulheres que transitam entre amizade, amor e cumplicidade, sem a necessidade de rotular o vínculo.
(Claus Lehmann/Divulgação)
Para Lúcia Bronstein, o projeto também dialoga com o momento atual. A encenação surge como um gesto de resistência em um mundo marcado por distanciamentos, propondo uma reconexão com o outro por meio da empatia, do humor e da escuta.
Mais do que apresentar duas histórias, o projeto convida o público a atravessar uma experiência contínua. Uma espécie de coreografia de pontos de vista, em que cada peça ilumina a outra e amplia a pergunta que sustenta ambas: afinal, quem somos quando estamos em relação?
Serviço: Teatro no Sesc Ipiranga (Daniel MacIvor)
“Nada é suficiente” e “Comunhão”Temporada: de 17 de abril a 31 de maioLocal: Teatro Sesc Ipiranga – Rua Bom Pastor, 822 – São Paulo
Sextas-feirasSessão dupla20h – Nada é suficiente21h15 – Comunhão(intervalo de 15 a 20 minutos)
Sábados20h – Comunhão
Domingos18h – Nada é suficiente
Ingressos:R$ 60 (inteira)R$ 30 (meia)R$ 18 (credencial plena Sesc)
[1] https://www.sescsp.org.br/unidades/ipiranga/
[2] https://abcdoabc.com.br/enrique-diaz-traz-cine-monstro-ao-sesc-santo-andre/
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