DÍVIDAS: COMO ELIMINÁ-LAS DE SUA VIDA!

Por: Vitor Capelozza | www.vitorcapelozza.com.br

Por que falta dinheiro? Existem diversas respostas para essa questão, porém, a mais comum é devida as escolhas malfeitas em nossa vida. A compra de um determinado item de consumo fora do planejado, parcelamentos em excesso, ou negociações ruins, como um contrato de assinatura além do que é necessário para seu consumo, irão consumir boa parte de seu orçamento doméstico sem que você perceba. É nesse momento vulnerável onde começamos a utilizar constantemente o cheque especial para cobrir saldos negativos, a atrasar o pagamento de contas, a parcelar a fatura do cartão de crédito, e a contratar pequenos empréstimos com a intenção de corrigir o problema, e pronto! Os parcelamentos começam a crescer e o que era um aparente desequilíbrio momentâneo se transforma em um pesadelo na vida financeira de sua família.

Segundo a pesquisa de endividamento e inadimplência do consumidor (Peic), feita pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o percentual de famílias com dívidas em cartão de crédito, cheque especial, cheque pré-datado, crédito consignado, crédito pessoal, carnê de loja, prestação de carro e prestação da casa em maio de 2021 era de 68%. Os três maiores tipos de dívidas são:

  • Cartão de Crédito
  • Carnês
  • Financiamento de veículos

As más escolhas que fazemos nos impedem de evoluir na construção de um caminho mais saudável nas finanças pessoais. Quando queremos comprar determinado bem, a pergunta mais frequente é : “Em quantas parcelas consigo pagar?” ou “Qual o valor das parcelas?” Esse pensamento de curto prazo fará com que o volume de parcelas vá estrangulando o orçamento até que a situação fique grave e a única saída seja contratar empréstimos ou começar a vender bens para contornar o problema criado.

Muitas famílias possuem uma composição de despesas extremamente apertada, sem margem de manobra para imprevistos. Financiamentos longos, parcelas e empréstimos acabam engessando as finanças e ao menor problema precisam recorrer a mais empréstimos e o caminho natural é aquela bola de neve interminável das dívidas. Sabemos bem quanto gastamos de aluguel, escola, financiamentos imobiliários por serem gastos de grande valor, mas não sabemos por exemplo quanto gastamos na padaria toda semana, com presentes de aniversário, ou no restaurante aos finais de semana, entre outros gastos menores que se somados ao longo do mês consomem boa parte de nosso dinheiro.

Outro ponto de destaque são os estoques efetuados. Muitas vezes o dinheiro que está faltando na conta corrente está parado na dispensa de casa em itens comprados em excesso ou no tanque do carro em combustível que não será utilizado nas próximas semanas. Negociações ruins também comprometem seu orçamento, como pacote de telefonia contratado sem que seja utilizado com eficiência, assim como a internet e a tv a cabo. Como vimos, o grande vilão é o cartão de crédito, que é utilizado da maneira errada. Sem controlar semanalmente as compras realizadas e o fluxo de caixa pessoal para o pagamento total da fatura, o cartão se torna um veneno mortal nas mãos das pessoas.

13º salário

Quando o pagamento do 13º salário é recebido por quem tem esse direito, a primeira atitude é o pagamento das dívidas realizadas durante todo o ano, como parcelamentos, presentes para familiares e amigos, férias, entre outros. Devido ao consumo concentrado nos meses de novembro e dezembro com as festas de fim de ano, muitas pessoas começam a entrar novamente em parcelamentos e dívidas para a compra da ceia de Natal e presentes, além da festa de Réveillon, o que fará com que o início do próximo ano já esteja comprometido com novas dívidas e com os tradicionais gastos com impostos IPTU, IPVA e matrículas escolares.

Ao quebrar esse ciclo ruim de utilização do 13º salário, começaremos o novo ano com um orçamento mais flexível. Como? Com um Natal e um Réveillon mais enxutos: uma ceia mais simples, presentes mais modestos, férias com viagens locais, para que grande parte do décimo terceiro seja utilizado no pagamento à vista dos impostos de início de ano, IPTU, IPVA e matrículas. Com isso, seu início de ano terá um orçamento doméstico mais flexível e com margem de manobra caso imprevistos aconteçam.

Como sanar o problema das dívidas?

Para sanar o problema das dívidas devemos preparar o espírito para a mudança, entendendo que algumas privações momentâneas serão necessárias, como por exemplo cancelar alguns compromissos agendados, pois a prioridade agora será reorganizar a vida financeira. Encare de frente a situação e descubra o tamanho do problema, colocando na mesa todas as contas em atraso, carnês, contratos, financiamentos e empréstimos para uma avaliação minuciosa e classificação por prioridades. As dívidas mais caras (com um custo efetivo total maior) devem ser as primeiras a serem quitadas. Existem 3 passos a serem seguidos para resolver o problema das dívidas:

  1. Corte de gastos
  • Reduza o consumo de energia, programando horários para utilização de determinados eletrodomésticos por exemplo.
  • Reveja planos de assinaturas como internet, tv a cabo e telefonia (Alguns serviços podem ser suspensos por até 30 dias, considere essa opção).
  • Compre somente o necessário para o consumo de sua família, aumentando a frequência de visitas ao supermercado.
  • Presentes em datas comemorativas devem ser mais simbólicos.
  • Os gastos com lazer devem ser mais criativos, como visitas a parques e museus. Cancele cursos, academias e outros compromissos que comprometam suas finanças.
  1. Aumento da renda – Ao cortar despesas de um lado, é importante também analisar formas de aumentar a renda de outro. Verifique a possibilidade de fazer algumas horas extras em seu emprego. Colocar em prática uma segunda atividade, como a venda de bolos e doces, ou também dirigir por aplicativo. Transforme seu hobby em uma atividade remunerada, como fotografia, confecção de utensílios de moda, ou cozinhar.
  2. Venda itens não utilizados – Temos em casa diversos utensílios domésticos que não utilizamos e que se colocados à venda podem render um bom dinheiro que irá ajudar na resolução do problema das dívidas. Celulares antigos, itens de cozinha, mobília, entre outros. Além de conseguir dinheiro, a venda desses itens deixará sua casa mais organizada.

Após organizar as dívidas como vimos acima, contate todos os credores para negociar e apresente um plano detalhado de como pretende pagar. Solicite descontos e um prazo maior para a quitação. Lembre-se: as parcelas renegociadas devem caber com folga em seu orçamento doméstico. Verifique a possibilidade de contratar um empréstimo consignado ou pessoal para quitar as dívidas mais caras, como o rotativo do cartão de crédito e o cheque especial. É fundamental comparar as taxas.

Conte com a ajuda de uma planilha para organizar todas as dívidas e parcelas renegociadas e de um profissional competente para lhe orientar em suas decisões. Mantenha-se engajado no objetivo e tenha em mente que será um momento duro de privações, porém, com prazo determinado e com a certeza de que após esse período, o aprendizado será levado por toda a vida, e ao final comemore em família com uma viagem ou um passeio a um lugar especial para todos. Sucesso!

Até breve,

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