Novo perfil de liderança exige atuação expandida para além do foco em resultado econômico

O assunto foi uma das conclusões do 20˚ Fórum de Líderes 2020, realizado anualmente pela ADIGO Desenvolvimento

Tendo a pergunta “O que realmente importa?” como fio condutor dos debates do 20˚ Fórum de Líderes 2020, o evento chega ao final evidenciando a necessidade de lideranças atuarem de forma muito mais ampla e responsável, propondo uma sociedade mais equilibrada a partir das empresas. Para isso e para além do foco na performance econômica e financeira das organizações, esse novo líder precisa estar atento às questões contemporâneas e pautas como educação, saúde, meio ambiente, sustentabilidade e geração de empregos, além de autodesenvolvimento, diversidade, espiritualidade e o seu papel na vida dos colaboradores. Mais do que isso, precisa se ver como um agente transformador em uma teia de organizações interligadas, em um conjunto de ações e reações que interferem diretamente no equilíbrio da sociedade.

Este novo perfil foi um ponto unânime entre os palestrantes do evento, que pela primeira vez foi realizado on-line, no final de outubro. Promovido pela ADIGO Desenvolvimento há duas décadas, o fórum contou este ano com a participação internacional do alemão Gerald Häfner, reconhecido por sua atuação em prol da democracia, direitos humanos e liberdade, tendo sido membro do parlamento alemão e já tendo atuado como membro do parlamento europeu. Hoje ele é responsável pela seção de Ciências Sociais do Goetheanum, na Suíça.

Também como destaques, palestraram Maite Leite, Chief Country Officer e Head of Corporate Bank no Deutsche Bank Brasil, Bruno Garfinkel, presidente do conselho de administração da Porto Seguro e Alexandre França, CEO da Aspen Pharma. O fórum reúne anualmente profissionais de recursos humanos, consultores, executivos e líderes corporativos interessados na reflexão e no desenvolvimento de ações para implementação de melhores práticas para o mercado.

Ao longo da sua apresentação, Häfner chamou atenção para o momento em que se vive hoje, não apenas com a crise da pandemia da covid-19, mas com múltiplas crises sobrepostas. “Ao final, todas elas como consequências dos nossos próprios atos, do nosso próprio modo de viver, ou seja, nós mesmos as criamos”, pontuou ele. E nos caminhos para se sair delas está o novo papel de líder e o conceito de Trimembração Social. Ele ressaltou que tendo o entendimento da liberdade, igualdade e fraternidade como princípios para a busca de organizações mais equilibradas, esses princípios podem ser incorporados aos processos organizacionais, na sua cultura, nas relações interpessoais da empresa e no uso dos seus recursos.

Conceitos que foram expandidos pelos demais palestrantes, trazendo exemplos para a importância dessa implementação. “Os seres humanos precisam de liberdade para expressar sua individualidade, sua capacidade de desenvolver e, consequentemente, desenvolver as organizações em que estão inseridos”, explicou Rodrigo Goecks, um dos sócios da ADIGO. “Da mesma forma, a igualdade, pois quanto maior entre as partes, maior a potencialização das realizações humanas”, disse ele, apontando para um olhar organizacional mais horizontal hierarquicamente. Para falar da fraternidade, Goecks lembrou do exemplo dos acionistas da Porto Seguro, que assim que começou a pandemia abraçaram o movimento #NãoDemita e criaram o programa Meu Porto Seguro, oferecendo 10 mil vagas de empregos. “Esses princípios podem ser um ponto de partida para a construção de um futuro dentro de uma nova consciência, uma comunidade moderna nascendo no mundo empresarial”, concluiu, lembrando dessa força transformadora, uma vez que dos 100 maiores PIBs do planeta, apenas 31 são países; 69 são empresas.

Ao longo dos debates também ficou evidente a importância do líder no esclarecimento do real propósito das empresas perante a sociedade, até pela desconexão que muitas apresentaram durante a pandemia – reflexo claro do desalinhamento entre propósito e a cultura organizacional. Da mesma forma, a importância que essa liderança dá ao papel e às atribuições da organização na sociedade, mais ainda numa sociedade tão desigual quanto a brasileira, e em um momento crítico com o atual. Entre mais um dos insights do fórum foi a clareza de que a liderança tem que estar atenta a resultados muito mais amplos do que o foco na performance econômica. Mais do que isso, em como se dá a busca por esses resultados, o custo deles para o futuro, se há sustentabilidade no que se busca e os impactos reais de tudo isso.

Ao final, há a conclusão de que a demanda por esse perfil de liderança já era algo latente que foi acelerada pela pandemia da covid-19, e agora é mais necessária do que nunca. O sócio-fundador da ADIGO Desenvolvimento, Jair Moggi, reforça que para este momento de transformação a pergunta “O que realmente importa?” deve se tornar uma constante, para que as lideranças possam de fato colocar energia nisso, propor ações práticas e gerar as transformações necessárias na busca por empresas mais equilibradas e com melhores impactos na sociedade.

Sobre a ADIGO Desenvolvimento

www.adigodesenvolvimento.com.br

Pioneira no apoio e facilitadora nos processos de desenvolvimento de indivíduos, grupos e organizações, a ADIGO Desenvolvimento atua há 32 anos nas áreas de desenvolvimento organizacional e humano, empresas de família, governança, coaching, planejamento estratégico,  cultura e identidade organizacional, a partir de metodologia própria, voltada para a ampliação da consciência, autonomia e superação de desafios. Há duas décadas, a organização é responsável pela realização do Fórum de Líderes, que reúne  ex-participantes do seu Programa para Formação de Líderes Facilitadores e Consultores de orientação antroposófica e  lideranças dos mais diversos segmentos do mercado e da sociedade, para discutir e propor ações de desenvolvimento individual e organizacional que impactem positivamente na sociedade, por meio dos princípios da Simplicidade com Profundidade, Solidariedade com Confiança, Liberdade com Responsabilidade e Co-criação com Profissionalismo.

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