William Braido, do arremesso de peso faz história no retorno das competições oficiais da FPA

A Federação Paulista de Atletismo realizou neste sábado (26 de setembro), o 2º Festival FPA Adulto/Sub-20. A competição marcou o retorno oficial das provas no Estado de São Paulo realizada no Pista de Atletismo CEAR- Swiss Park Campinas e foi palco para conquista da 3ª melhor marca brasileira da história no arremesso de peso.

Aos 28 anos, Willian Braido arremessou 20,01 m (utilizando e a marca o coloca neste momento na posição 34 do Ranking Mundial em 2020, com isso, o atleta da ORCAMPI entra na Elite do Atletismo Mundial, pois, os atletas entre os 50 melhores colocados tem acesso aos maiores Meetings de Atletismo.

“Escutei minha vida inteira que eu sou  baixo demais, magro demais,  que minha técnica era ruim, ou que meu treino era errado, isso só me motivou, sou grato, e hoje escrevi mais uma linha dessa história que ainda não chegou ao fim”, desabafou Braido.

Com a mesma dedicação que o trouxe até aqui, William começa a pensar em Tóquio 2020, que por conta da pandemia causada pelo coronavírus está marcada para ser realizada em 2021.

“São 16 anos treinando todos os dias, empurrando peso todos os dias, dormindo com peso, carregando peso no carro, levantando peso, estudando etc. Agora vou tentar me organizar e tentar ir para essa Olimpíada”, falou William Braido.

Com a marca alcançada na manhã deste sábado (26), Willian Braido se tornou o 8º melhor atleta do arremesso de peso na América do Sul e o 2º melhor resultado Sul-Americano, em 2020, entretanto, Braido explica que a busca é pelo aperfeiçoamento da técnica, o que vem depois é apenas consequência.

“Desde o meu antigo treinador, Rusto Navarro, que hoje é treinador do Darlan, e agora com meu atual treinador, Sinval Oliveira sempre trabalhamos da seguinte forma. Vamos pensar na técnica, o resto é consequência, esses outros pensamentos acabam prejudicando”, confirmou William.

Logo após consegui alcançar a marca, William Braido falou com a equipe de comunicação da Federação Paulista de Atletismo e lembrou o seu início de carreira. Ainda muito novo, mas sempre apaixonado por atletismo e principalmente pelo arremesso de peso.

“Comecei no atletismo aos 11 anos, já arremessando peso, eu amo essa prova, amo essa técnica que eu uso e desde sempre me falavam que eu era muito baixo para arremessar acima de 18 m, o recorde no Brasil era por volta de 18 m”, lembra Braido.

A Trajetória

Então sempre abri mão de tudo para poder treinar, fui para São Paulo com 14 anos e morei em um lugar dividindo banheiro com umas 70 pessoas. Quando tive a chance fui para Uberlândia treinar com um treinador cubano e todo mundo falava que essa não era minha prova e eu ia me machucar e que era para eu ir estudar, foi o que eu fiz e segui treinando.

Em determinado momento eu tive que sair do programa da CBAt por falta de investimento deles, onde permaneceram só com os dois melhores do Brasil e eu vim para o ORCAMPI, que é minha casa e sempre me acolheu, morando aqui com um salário bem mais baixo que eu recebia.

Dedicação

Eu acordo todos os dias às 4h30 e só consigo treinar por volta das 11h30, por sinal foi bem no horário da prova. Mas, saindo daqui vou dar personal e depois volto para treinar. Nos intervalos (Até peço desculpa para meu chefe), acabo tendo que treinar e fazer levantamento de peso (levo bastante bronca por isso) e fico nesta rotina, todos os dias.

“Eu fiquei cinco anos arremessando 18 m, que é bastante tempo, mas nada é em nosso tempo e hoje poder arremessar 20 m é de uma alegria imensa. Eu sou de longe o arremessador mais baixo do mundo, a bater 20 m, utilizando essa técnica (Deslocamento linear). Ninguém que desloca chegou nesta marca, já arremessaram (nos anos 70), mas hoje acredito que não tenha ninguém com 1, 83 m, arremessando acima de 20 m”, disse o atleta.

Treino na Pandemia

Em meio a pandemia, eu agradeço a ORCAMPI que proporcionou formas de treinar bem adaptadas. Meu trabalho é dentro de um ginásio de levantamento de peso, então isso me ajudou bastante.

No momento da pandemia, sem dinheiro, minha namorada me ajudou bastante e segui treinando, arremessando bastante. Em praças, guias, levando broncas, a polícia abordando e eu tendo que explicar, mas, a equipe deu muito suporte, inclusive a psicóloga.

Em relação a FPA!!!

Esse novo momento da FPA é bem interessante, organização do evento, com música e o tratamento com atleta.

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