Itaquaquecetuba zera casos de feminicídio por quase dois anos
Itaquaquecetuba zera casos de feminicídio por quase dois anos

O município de Itaquaquecetuba [1]não registra casos de feminicídio há exatos um ano e dez meses. O último registro oficial de assassinato motivado por violência de gênero em Boletim de Ocorrência (B.O.) na cidade ocorreu em agosto de 2024. O resultado coloca a cidade da Região Metropolitana de São Paulo na contramão das estatísticas nacionais de violência contra as mulheres.
De acordo com os dados da Secretaria de Estado da Segurança Pública do Governo de São Paulo (SSP-SP [2]), os últimos três episódios em que houve o crime de feminicídio consumado em Itaquaquecetuba foram mapeados em fevereiro, março e agosto de 2024.
Ações integradas de proteção à mulher
O prefeito de Itaquaquecetuba, Eduardo Boigues atribui a ausência de novos registros de feminicídio à consolidação de uma política focada em investimentos estruturais e em uma rede de acolhimento psicossocial.
“Segurança Pública para as mulheres se alicerça com presença do Estado, ou seja, da Polícia, acolhimento humanizado e oportunidades reais de autonomia, para que a vítima não dependa do agressor e possa tomar decisões, inclusive a de não querer mais viver embaixo do mesmo teto que o companheiro. Os resultados mostram que estamos no caminho certo, mas seguiremos trabalhando, até que nenhuma mulher de Itaquaquecetuba precise temer pela própria vida”, afirmou o prefeito.
Uma das principais ferramentas adotadas para evitar o feminicídio na comarca foi a reestruturação da Ronda de Proteção à Mulher, coordenada pela Guarda Civil Municipal (GCM). Entre os anos de 2021 e 2026, o serviço especializado contabilizou 2.572 medidas protetivas ajuizadas, manteve 2.643 mulheres sob acompanhamento e efetuou 68 prisões por descumprimento de ordens judiciais.
Rede de apoio e autonomia financeira
Itaquaquecetuba também expandiu seus mecanismos de denúncia e monitoramento para mitigar riscos antes que o cenário evolua para um feminicídio. Em março de 2021, foi aberta a Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) na cidade. Posteriormente, em julho de 2024, entrou em operação o Botão do Pânico, dispositivo integrado à GCM que realiza o monitoramento ativo e ininterrupto de vítimas com medidas protetivas.
Além do aparato policial, a Secretaria Municipal da Mulher implementou programas focados na emancipação financeira e acolhimento das vítimas. Por meio do Programa Acolhe, em parceria com o Instituto Avon e o Grupo Accor, o município oferece abrigo temporário em hotéis para mulheres e seus filhos em situação de vulnerabilidade doméstica.
A Casa da Mulher, inaugurada em 2024, atua diretamente na qualificação profissional do público feminino, visando à quebra da dependência econômica e auxiliando no combate estrutural ao feminicídio.
[1] https://abcdoabc.com.br/inscricoes-eja-estao-abertas-itaquaquecetuba/
[2] https://www.ssp.sp.gov.br/
Leia mais notícias aqui.
