Agosto Lilás amplia rede de proteção em SP
Agosto Lilás amplia rede de proteção em SP

Mais de 500 autoridades e especialistas se reuniram nesta quinta-feira (27), na Estação Motiva Cultural, na capital paulista, para o encontro de enfrentamento à violência contra a mulher, parte integrante das ações do Agosto Lilás [1]. Promovido pela Secretaria de Políticas para a Mulher do Estado, o evento debateu a integração de serviços públicos e o aprimoramento do acolhimento no ano em que a Lei Maria da Penha completa duas décadas de vigência.
“Marcamos esse momento fortalecendo a união de forças entre Estado, órgãos públicos e agentes municipais para a eficiência e crescimento da rede de proteção. Aqui fortalecemos nossa atuação para que as mulheres sejam assistidas e possam ter uma vida livre de violência”, afirmou Adriana Liporoni, secretária estadual da pasta.
Segurança e tecnologia a favor da vida
A mulher que busca socorro exige suporte ágil e um sistema interligado. Segundo o secretário da Segurança Pública, Osvaldo Nico Gonçalves [2], o Agosto Lilás reforça a necessidade de não fragmentar o atendimento. “A ideia é que, quando essa mulher bater na porta de algum serviço pedindo ajuda, ela seja atendida da melhor forma possível, com rapidez e precisão”, pontuou.
Nesse sentido, os painéis do Agosto Lilás destacaram inovações tecnológicas lideradas pelas forças de segurança. A coronel PM Glauce Anselmo Cavalli, primeira mulher a comandar a Polícia Militar de São Paulo, apresentou ferramentas ativas, como a Patrulha SP Mulher Segura e o monitoramento eletrônico de agressores. Pelo aplicativo estadual, as vítimas conseguem solicitar medidas protetivas e acionar o Botão do Pânico remotamente.
O estado pioneiro na criação da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) em 1985 também aproveitou o Agosto Lilás para detalhar a infraestrutura atualizada, que hoje engloba:
144 unidades físicas da DDM.
19 unidades com funcionamento ininterrupto (24 horas).
236 Salas DDM em delegacias territoriais, complementadas pelos serviços Móvel e Online.
Reconstrução social e autonomia
A proteção efetiva exige rotas de fuga e suporte financeiro. Como pilar central do Agosto Lilás, a assistência social foi debatida como etapa crucial do recomeço. Atualmente, a rede dispõe de 47 abrigos sigilosos para vítimas e seus dependentes.
A secretária de Desenvolvimento Social, Andrezza Rosalém, destacou a adesão de 593 municípios ao programa Auxílio-Aluguel. Hoje, mais de 5 mil mulheres recebem repasses mensais de R$ 500. Além disso, as políticas públicas estaduais passaram a acolher com busca ativa e suporte as crianças e adolescentes em situação de orfandade decorrente do feminicídio.
Prevenção para barrar a reincidência
Para evitar novos ciclos de agressão, os debates do Agosto Lilás focaram intensamente na reeducação masculina. Dados nacionais de 2023, apresentados pelo professor Adriano Beiras, apontam que grupos reflexivos para autores de violência registram uma taxa média de reincidência de apenas 4,18%.
“Responsabilizar o autor da violência também significa trabalhar para que ela não volte a acontecer. Os dados mostram o potencial dessa estratégia”, afirmou Beiras, ressaltando o sucesso da abordagem. As capacitações para profissionais da assistência social em todo o estado, impulsionadas pelo Agosto Lilás, seguirão ativas entre setembro e novembro, consolidando o pacto paulista pela vida e dignidade das mulheres.
[1] https://abcdoabc.com.br/unimed-e-prefeitura-campinas-atuam-agosto-lilas/
[2] https://www.instagram.com/delegadonico/
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