Criança com autismo é encontrada pela PM em Carapicuíba
Criança com autismo é encontrada pela PM em Carapicuíba

Uma criança de seis anos, diagnosticada com Transtorno do Espectro Autista (TEA), foi localizada pela Polícia Militar [1] nesta quarta-feira (2), após sair de casa sozinha e embarcar em um ônibus em Carapicuíba [2], na Grande São Paulo. Os pais não haviam percebido que a criança tinha deixado a residência.
O motorista do coletivo percebeu que a criança estava desacompanhada e acionou o telefone 190. Uma equipe do 33º Batalhão de Polícia Militar passava pela região e foi abordada pelo condutor.
O 3º sargento Ronaldo da Silva entrou no ônibus e encontrou a criança sentada no fundo do veículo. Como o menino apresentava dificuldade para se comunicar e não conseguia informar onde morava, o policial colocou em prática orientações recebidas durante treinamentos para atendimentos a pessoas com TEA.
Criança cria vínculo com policial durante atendimento
O sargento se abaixou para ficar na altura do rosto da criança e passou a conversar de maneira calma e pausada. A estratégia ajudou a reduzir o medo e permitiu que os policiais conquistassem a confiança do menino.
Segundo Ronaldo, o menino estava bastante assustado no início da abordagem. Para estabelecer uma aproximação, o policial transformou o atendimento em uma brincadeira dentro do ônibus.
“Ele estava muito assustado. Fomos ganhando a confiança dele. Depois de um certo momento, acabamos brincando. Eu brinquei com ele de esconde-esconde no ônibus e falava que a gente ia contar quantos bancos tinha no ônibus”, relatou.
Informações ajudaram a localizar a família
Com o vínculo estabelecido, a criança conseguiu fornecer informações importantes aos policiais. O menino informou o nome dele e dos pais e também contou que o pai trabalhava em uma empresa de ônibus.
A partir desses dados, os agentes começaram a cruzar informações para tentar identificar a família. O menino também forneceu pistas sobre o local onde morava.
Em determinado momento, a criança reconheceu uma região com vários conjuntos residenciais e passou a apontar para os prédios. Com uma chave e um dispositivo que carregava, os policiais testaram os acessos até identificar o residencial onde a família morava.
Cerca de 40 minutos depois, a equipe encontrou a mãe do menino. Ela estava procurando pela criança e chorou ao perceber que o filho havia sido localizado.
“Ela praticamente já foi reconhecendo o filho, chorando e pegando ele no colo. Foi um reencontro muito emocionante”, afirmou o sargento.
A criança foi encaminhada ao Conselho Tutelar acompanhada da mãe. Depois do atendimento, o menino foi entregue à família em segurança.
Atendimento especializado faz diferença
A ocorrência mostrou a importância de abordagens adequadas durante o atendimento de uma criança com TEA. Entre as orientações utilizadas pelos policiais estão manter a calma, falar pausadamente e permanecer na altura da pessoa atendida.
A estratégia também foi importante quando o menino ficou agitado e tentou deixar o ônibus, que circulava por uma avenida considerada perigosa.
“A gente tem que ter bastante calma, porque em certo momento ele também ficou um pouco agitado. Ele queria descer do ônibus, e ali é uma avenida muito perigosa. Então tive que intervir dentro do coletivo. O pessoal do ônibus também foi muito prestativo”, contou Ronaldo.
Além da atuação policial, a atenção do motorista foi fundamental para identificar que a criança estava desacompanhada e pedir ajuda por meio do 190.
Criança é o segundo caso em dois dias
O caso em Carapicuíba aconteceu um dia depois de outra ocorrência envolvendo uma criança desacompanhada. Na manhã de terça-feira (1º), uma menina de 10 anos foi localizada por policiais militares após embarcar no ônibus errado enquanto seguia para a escola, no bairro do Tremembé, na Zona Norte de São Paulo.
A menina estava sozinha e chamou a atenção de um passageiro, que acionou a Polícia Militar. A equipe acolheu a criança e repassou as informações ao policiamento territorial.
A Cabine de Desaparecidos do Centro de Operações da PM (Copom) utilizou os dados fornecidos pela menina para identificar a escola onde ela estudava. A direção da unidade conseguiu localizar a mãe e comunicar o ocorrido.
Nos dois casos, a atenção de pessoas que estavam próximas e a atuação rápida dos policiais contribuíram para proteger as crianças e possibilitar o reencontro com as famílias.
[1] https://www.policiamilitar.sp.gov.br/
[2] https://abcdoabc.com.br/policia-civil-prende-suspeitos-desaparecimento/
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