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Dia dos Namorados, Copa do Mundo e o risco oculto nas ruas

Tempo estimado de leitura: 3 minutos

Dia dos Namorados, Copa do Mundo e o risco oculto nas ruas

Dia dos Namorados, Copa do Mundo e o risco oculto nas ruas
Restaurantes, bares, shoppings, motéis, aplicativos de transporte, entregas por motocicleta e deslocamentos familiares tendem a concentrar maior movimento no período noturno, especialmente de sexta para sábado. Neste ano, há um fator adicional: a estreia do Brasil na Copa do Mundo [1] amanhã, sábado, contra a seleção do Marrocos.

A combinação de celebração, consumo de álcool, deslocamentos noturnos e expectativa pelo jogo cria um cenário que exige atenção redobrada.

Data comemorativas

(Imagem/Freepik)

Não se trata de afirmar que o Dia dos Namorados, [2] isoladamente, seja causa direta de mais sinistros. O ponto central é outro: datas comemorativas e jogos da seleção mudam o padrão de circulação.

Há mais pessoas nas ruas em horários de maior risco, mais viagens curtas, mais motos em operação, maior procura por aplicativos e maior exposição de pedestres. Na prática, o risco viário cresce quando a cidade mistura lazer, pressa, consumo de bebida alcoólica e deslocamentos concentrados.

O histórico já nos mostra atenção adicional

O histórico de grandes eventos ajuda a entender esse comportamento. Na Copa do Mundo de 2022, por exemplo, São Paulo precisou manter esquemas especiais de trânsito e registrou picos relevantes de congestionamento antes de jogo do Brasil.

Partidas da seleção não impactam apenas o torcedor, reorganizam a mobilidade urbana, [3] pressionam corredores viários, áreas comerciais, bares e regiões de concentração de público.

No Grande ABC, esse alerta é ainda mais importante. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra formam uma região de forte circulação intermunicipal, com deslocamentos pendulares, vias arteriais, rodovias urbanas e intensa presença de motociclistas.

Em noites de maior movimento, o risco não está apenas nas grandes avenidas: ele aparece também nas travessias de pedestres, nos retornos para casa, nas saídas de bares e nos trajetos aparentemente curtos.

Planejamento faz toda a diferença para não ter imprevistos

(José Cruz/Agência Brasil)

O álcool continua sendo um dos fatores mais críticos. [4] Ele reduz reflexos, altera a percepção de velocidade, aumenta a autoconfiança artificialmente e compromete decisões simples, como frear, manter distância segura ou perceber um pedestre na travessia. Quando associado à noite, à fadiga e à velocidade, o risco deixa de ser individual e passa a ser coletivo.

Por isso, a recomendação é objetiva: quem beber não deve dirigir, independentemente do medo e receio de possíveis fiscalizações como a Blitz da Lei Seca. A alternativa deve ser planejada antes da saída: transporte por aplicativo, carona previamente combinada, táxi, transporte público quando disponível ou permanência em local seguro.

Para motociclistas, entregadores e motoristas profissionais, o cuidado precisa ser ainda maior: capacete afivelado [5], farol em boas condições, velocidade compatível e distância lateral segura podem evitar uma tragédia. E claro, manipular aparelho celular quando o veículo estiver estacionado.

Todos nós somos pedestres e precisamos de cautela nestes momentos. Em noites de grande movimento, atravessar fora da faixa, caminhar distraído pelo celular ou presumir que o motorista irá parar, pode ser fatal. A prioridade legal do pedestre não elimina a vulnerabilidade física diante de um veículo em movimento.

Momento de comemoração não pode estar associado a possíveis tragédias

O poder público, por sua vez, deve tratar este fim de semana como operação especial de segurança viária. Fiscalização de alcoolemia, controle de velocidade, presença em áreas de bares, reforço em cruzamentos críticos, iluminação, orientação de travessias e gestão de fluxo são medidas preventivas. O objetivo não é punir a comemoração, mas impedir que a comemoração termine em luto.

Dia dos Namorados e Copa do Mundo são datas de afeto, encontro e celebração. Justamente por isso, não podem ser associadas à imprudência. No trânsito, o gesto mais amoroso deste fim de semana talvez seja o mais simples: voltar para casa em segurança e ter consciência que o trânsito é coletivo. Temos todos os motivos para celebrarmos, mas com muita responsabilidade nos deslocamentos.

Luiz Vicente Figueira de Mello Filho

(Divulgação/ABCdoABC)

Agente transformador da mobilidade urbana. Luiz é colunista de mobilidade do portal ABCdoABC [6]. Pesquisador do Programa de Pós-doutorado em Engenharia de Transportes e Professor Credenciado da Unicamp – Faculdade de Tecnologia. É doutor em Engenharia Elétrica no Departamento de Comunicação – DECOM – FEEC [7] da Unicamp (2020), mestre em Engenharia Automotiva pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (2009), pós-graduado em Comunicação e Marketing pela Faculdade Cásper Líbero (2005), possui graduação em Administração de Empresas (2002) e em Engenharia Mecânica (1999), ambas pela Universidade Presbiteriana Mackenzie.

[1] https://abcdoabc.com.br/35-acredita-no-hexa-do-brasil
[2] https://abcdoabc.com.br/dia-dos-namorados-restaurantes-sao-paulo
[3] https://abcdoabc.com.br/congestionamentos-crescem-36-em-sp-abc/
[4] https://abcdoabc.com.br/recusa-ao-bafometro-lei-seca/
[5] https://abcdoabc.com.br/maio-amarelo-corpo-humano-nao-suporta-impactos/
[6] https://abcdoabc.com.br/
[7] https://www.fee.unicamp.br/pesquisa/decom/

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