Eleições 2026: quais estados terão segundo turno e quem são os candidatos
A apuração do primeiro turno já permite uma leitura muito mais interessante do que simplesmente listar os estados: o segundo turno reúne seis estados e o Distrito Federal, com perfis sociais, econômicos e políticos muito diferentes. Abaixo está a versão pronta para o PortalABC, com foco também no que essa fotografia eleitoral revela sobre o Brasil de 2026.
ELEIÇÕES 2026
Sete territórios, dois candidatos e um Brasil dividido: onde o voto ainda vai decidir o governador
Acre, Amazonas, Distrito Federal, Espírito Santo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte e Tocantins voltam às urnas em 25 de outubro. Em cada lugar, porém, a disputa tem uma história diferente — e revela muito sobre o país que está emergindo das urnas
Por PortalABC.com.br | 5 de outubro de 2026
O primeiro turno das eleições de 2026 produziu uma fotografia surpreendente da política brasileira: 20 estados escolheram seus governadores já no primeiro turno, o maior número desde o início da série histórica da atual democracia. Restaram seis estados e o Distrito Federal para uma nova rodada de votação.
No dia 25 de outubro, os eleitores de Acre, Amazonas, Distrito Federal, Espírito Santo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte e Tocantins voltarão às urnas para escolher seus governadores. (Agência Brasil)
E há algo especialmente interessante nesse mapa: não existe um único perfil de eleitor nem uma única lógica política explicando os sete confrontos.
São disputas entre continuidade e mudança, experiência e renovação, conservadorismo e centro-esquerda, política tradicional e novas lideranças regionais.
ACRE
Mailza Assis x Alan Rick: uma eleição decidida por poucos pontos
O Acre é um dos casos mais impressionantes do segundo turno.
A atual governadora Mailza Assis (PP) terminou a primeira votação com 49,76% dos votos válidos, ficando a apenas uma pequena fração dos 50% necessários para vencer definitivamente.
Seu adversário será Alan Rick (Republicanos), que obteve 32,27%. (Tribunal Superior Eleitoral)
Mailza representa a continuidade administrativa: é governadora e busca a reeleição. Alan Rick chega ao segundo turno com experiência parlamentar — foi deputado federal por dois mandatos e senador pelo Acre —, mas disputa pela primeira vez o governo estadual. (Tribunal Superior Eleitoral)
O Acre tem uma população estimada em cerca de 884 mil habitantes e características muito particulares: baixa densidade populacional, forte presença da floresta amazônica, grandes distâncias internas e uma economia na qual o setor público possui peso relevante. (IBGE FTP)
O que está em jogo: continuidade de governo contra uma alternativa construída a partir da experiência legislativa.
AMAZONAS
Omar Aziz x Professora Maria do Carmo: experiência contra mudança
O Amazonas apresenta talvez um dos contrastes mais claros.
Omar Aziz (PSD) terminou o primeiro turno com aproximadamente 40,60%, enquanto Professora Maria do Carmo (PL) alcançou 24,50%. (Tribunal Superior Eleitoral)
Aziz já foi governador e atualmente é senador pelo estado. Maria do Carmo disputa pela primeira vez o governo estadual e tem como vice o coronel bombeiro Aníbal. (Tribunal Superior Eleitoral)
O estado tem cerca de 4,32 milhões de habitantes, mas uma característica decisiva: grande parte da população está concentrada em Manaus, enquanto o restante vive espalhado por um território gigantesco, marcado por rios, floresta e dificuldades logísticas. (IBGE FTP)
Isso torna temas como transporte, saúde, infraestrutura, Zona Franca de Manaus, segurança e integração do interior particularmente importantes.
O que está em jogo: a experiência de quem já governou contra uma candidatura que promete mudança.
DISTRITO FEDERAL
Celina Leão x Leandro Grass: quase não houve segundo turno
Tecnicamente, o Distrito Federal não é um estado, mas participa da disputa para governador e terá segundo turno.
E aqui ocorreu uma das situações mais curiosas da eleição: Celina Leão (PP) terminou com 49,93%, apenas 0,07 ponto percentual abaixo da maioria necessária.
Ela enfrentará Leandro Grass (PT), que alcançou 34,47%. (Tribunal Superior Eleitoral)
Celina, 49 anos, é a atual governadora e empresária. Grass, 41 anos, é professor, sociólogo e servidor público, com formação pela Universidade de Brasília. (Tribunal Superior Eleitoral)
O eleitorado do DF tem uma característica singular: Brasília concentra servidores públicos, profissionais altamente escolarizados, trabalhadores ligados à administração federal e uma população periférica numerosa, além de cidades com realidades socioeconômicas bastante distintas.
O que está em jogo: Celina precisa transformar uma quase vitória em vitória; Grass precisa converter o segundo turno em uma grande frente de oposição.
ESPÍRITO SANTO
Lorenzo Pazolini x Ricardo Ferraço: duas gerações da política capixaba
No Espírito Santo, Lorenzo Pazolini (Republicanos) obteve 49,65% e enfrentará Ricardo Ferraço (MDB), que terminou com 34,06%. (Tribunal Superior Eleitoral)
Pazolini tem 42 anos, é delegado de polícia e já foi deputado estadual e prefeito de Vitória.
Ferraço, aos 61 anos, representa uma experiência política muito mais longa: foi vereador, deputado estadual, deputado federal, vice-governador e senador. (Tribunal Superior Eleitoral)
O Espírito Santo tem cerca de 4,13 milhões de habitantes e uma economia fortemente relacionada a indústria, comércio exterior, logística, portos e serviços. (IBGE FTP)
O que está em jogo: renovação e segurança pública, de um lado; experiência política e administrativa, de outro.
RIO DE JANEIRO
Douglas Ruas x Eduardo Paes: o duelo mais explosivo
É provavelmente a disputa que mais chamará a atenção nacional.
Douglas Ruas (PL) chegou ao segundo turno com 49,27%, enquanto Eduardo Paes (PSD) obteve 42,76%. (Tribunal Superior Eleitoral)
Ruas, 40 anos, é empresário, natural de São Gonçalo e construiu sua trajetória política na Região Metropolitana, com atuação na Assembleia Legislativa e forte associação às pautas de segurança pública.
Paes, 56 anos, é advogado e possui longa carreira política: foi vereador, deputado federal e prefeito do Rio de Janeiro em diferentes mandatos. (Tribunal Superior Eleitoral)
O Rio é o segundo maior colégio eleitoral entre os territórios ainda em disputa e tem cerca de 17,2 milhões de habitantes. (IBGE FTP)
Aqui se cruzam segurança pública, transporte, saúde, infraestrutura, desenvolvimento econômico, turismo e a relação entre capital, Baixada Fluminense e interior.
O que está em jogo: uma nova liderança regional contra um dos políticos mais conhecidos do país.
RIO GRANDE DO NORTE
Allyson x Cadu: a disputa mais apertada do Brasil
Poucas eleições chegaram tão perto de um empate.
Allyson Bezerra (União) terminou o primeiro turno com 36,94%, apenas 0,78 ponto percentual à frente de Cadu de Lula (PT), que alcançou 36,16%. Foram 733.809 contra 718.300 votos. (Tribunal Superior Eleitoral)
Allyson tem 34 anos, é servidor público federal e foi prefeito de Mossoró, sendo reeleito em 2024.
Cadu de Lula, 48 anos, é engenheiro e auditor fiscal, natural do Rio de Janeiro. (Tribunal Superior Eleitoral)
Com aproximadamente 3,46 milhões de habitantes, o Rio Grande do Norte tem uma economia fortemente ligada a serviços, turismo, energia, agricultura e atividades relacionadas ao litoral.
O que está em jogo: uma jovem liderança municipal contra uma candidatura apoiada pelo campo político de Lula — e qualquer movimento de voto pode alterar completamente o resultado.
TOCANTINS
Professora Dorinha x Vicentinho Júnior: quase um empate
No Tocantins, a diferença também foi pequena.
Professora Dorinha (União) terminou com 45,75%, enquanto Vicentinho Júnior (PSDB) alcançou 43,72%. (Tribunal Superior Eleitoral)
Dorinha tem 62 anos, é senadora, pedagoga, professora, ex-secretária de Educação e Cultura e foi deputada federal por três mandatos.
Vicentinho Júnior, 41 anos, é empresário e deputado federal em terceiro mandato. (Tribunal Superior Eleitoral)
O Tocantins possui aproximadamente 1,59 milhão de habitantes, distribuídos por um território de grande extensão e com economia ligada ao agronegócio, serviços, logística e expansão da fronteira agrícola. (IBGE FTP)
O que está em jogo: duas candidaturas com experiência política, mas de gerações e trajetórias diferentes.
O QUE O MAPA DO SEGUNDO TURNO REVELA?
Mais do que sete eleições isoladas, o segundo turno de 2026 mostra um Brasil político extremamente diversificado.
Há candidatos que já governaram, como Omar Aziz; governantes tentando permanecer no cargo, como Mailza Assis e Celina Leão; políticos com décadas de experiência, como Eduardo Paes e Ricardo Ferraço; e lideranças mais jovens, como Allyson Bezerra e Douglas Ruas.
Também chama atenção a geografia.
O segundo turno reúne Norte, Nordeste, Sudeste e Centro-Oeste, mas nenhum estado da Região Sul.
E os contrastes populacionais são enormes: do Acre, com menos de 1 milhão de habitantes, ao Rio de Janeiro, com mais de 17 milhões. (IBGE FTP)
Isso significa que não haverá um único “tema nacional” capaz de explicar todos os votos.
No Acre, pesa a continuidade.
No Amazonas, a dimensão territorial e a força de Manaus.
No DF, a singularidade de Brasília.
No Espírito Santo, segurança, gestão e experiência.
No Rio, segurança e o poder político da Região Metropolitana.
No Rio Grande do Norte, uma disputa praticamente empatada.
No Tocantins, o equilíbrio entre duas candidaturas competitivas.
É justamente por isso que o segundo turno merece atenção.
Em 25 de outubro, o Brasil não estará simplesmente escolhendo sete governadores. Estará produzindo um novo mapa político do país — e cada um desses sete territórios poderá ajudar a definir a direção que o Brasil tomará nos próximos quatro anos.
Serviço
Segundo turno das Eleições 2026: 25 de outubro
Disputas para governador: Acre, Amazonas, Distrito Federal, Espírito Santo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte e Tocantins.
Disputa presidencial: Flávio Bolsonaro (PL) x Luiz Inácio Lula da Silva (PT). (Tribunal Superior Eleitoral)
Fontes principais: Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Agência Brasil e Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
