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Em catarse dolorosa, “Toy Story 5” justifica a franquia e acende um alerta cruel

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Em catarse dolorosa, “Toy Story 5” justifica a franquia e acende um alerta cruel

Em catarse dolorosa, “Toy Story 5” justifica a franquia e acende um alerta cruel

Abertura

Entrar na sessão de Toy Story 5, de cara já pedia uma boa dose de ceticismo, vide o cansaço surdo de Hollywood em querer insistir na ideia pouco inspirada como a de reeditar a dupla Buzz e Woody (de novo), me cheirava a desespero de acionista ganancioso. Porém, entretanto, toda a via, pra minha sorte com um misto de surpresa, o desarme veio logo cedo. O filme abre com um contêiner de bonecos do Buzz naufragando numa ilha deserta, com a tropa toda presa no modo demonstração e convencida de que precisa achar a Comando Estelar. Uma piada metalinguística deliciosa e quase um pedido de desculpas pelo tropeço de “Lightyear [1]”. Assim já nesse primeiro gesto fica claro que o diretor Andrew Stanton [2] sabe o peso que esses personagens carregam.

O que parecia nostalgia preguiçosa se revela uma obra de maturidade rara, fincada numa ferida que sangra hoje em quase toda casa com criança: o sequestro da atenção pela tela. Em vez do velho colecionador ganancioso, o vilão é a Lilypad, um tablet em forma de sapo dublado com frieza certa por Maísa [3]. E por aqui, chega cheia de opiniões sobre o que é melhor para a Bonnie (Júlia Paciello) e vai, lentamente, enfeitiçando a menina até os brinquedos virarem paisagem.

Desta vez, a Disney [4] traz na trama principal um empurrão sem cerimônia para o exato momento em que a infância tátil entra em colapso absoluto. Acompanhamos Woody, Jessie e o restante da velha guarda sendo brutalmente escanteados para o fundo do armário escuro, enquanto tentam desesperadamente bolar um plano para resgatar a atenção de Bonnie do brilho hipnótico do aparelho. O que se desenrola a partir dessa premissa não é uma jornada épica para voltar para casa, mas uma angustiante missão de sobrevivência afetiva dentro do próprio quarto da criança.

Crédito:Disney/Pixar

O que mais impressiona logo de cara é a honestidade na direção de Stanton, que se revela no rápido entendimento que um quarto infantil deixou de ser playground e virou campo de batalha, onde a relevância se disputa no tapa, num jogo que o plástico está perdendo feio para o algoritmo. Os enquadramentos reforçam essa impotência, deixando os bonecos pequenos diante do brilho do aparelho. A montagem, por sua vez, tem coragem de respirar em vez de correr atrás de estímulo de cores baratas.

A escolha de não demonizar a tecnologia de forma rasa é o que dá densidade ao filme. A Lilypad não é uma vilã de bigode torcido, mas sim uma presença sedutora que oferece à Bonnie exatamente o que a solidão dela e dificuldade de socializar pedia: companhia fácil, instantânea e sem atrito. Esse é o golpe mais cruel do roteiro, porque transforma o inimigo em algo que a própria criança mais deseja. O terror deixa de ser externo e passa a morar dentro de casa.

Para quem chegou esperando um filme infantil leve, fica o aviso de que o raso aqui se trouxe respiro daquela nossa Pixar [5] do antigo testamento. O humor existe e funciona, mas serve por entre goles emocionais que não pedem licença. Stanton aposta que o público adulto vai se reconhecer na cena, e ele acerta. O reflexo gelado de uma tela no colo de uma menina sozinha assusta mais do que qualquer brinquedo cruel das versões anteriores.

Jessie, a dona da história

Se Woody e Buzz estampam os pôsteres publicitários para garantir a venda de ingressos, a verdadeira dona da carga dramática deste quinto capítulo atende pelo nome de Jessie. A vaqueira, que já havia roubado a cena com sua trágica história de abandono lá no segundo filme, agora assume as rédeas de uma crise existencial. Uma jogada de mestre do roteiro deslocar o protagonismo para a personagem que carrega o trauma da caixa escura na própria pele. Enquanto o xerife tenta racionalizar a rejeição atual, Jessie sente o golpe com a urgência letal de quem sabe exatamente o que significa ser trocada e esquecida.

O espelho que o filme constrói entre o antigo trauma com a velha dona Emily e a atual frieza de Bonnie hipnotizada pela tela é de uma crueldade narrativa fascinante. Stanton acerta em cheio ao usar o pânico crônico da personagem Jessie, aqui sendo utilizado como o verdadeiro termômetro emocional da casa, transformando o medo sufocante dela no medo de todos nós.

Crédito:Disney/Pixar

A recusa obstinada da vaqueira em aceitar passivamente esse novo escanteio é o que movimenta o coração da trama e impede que o filme vire um velório antecipado de brinquedos. Suas tentativas frenéticas, beirando o desespero quase palpável, para competir com os algoritmos e arrancar um único segundo de atenção da menina são dolorosas de se assistir. Ela se joga no limite físico e psicológico, provando que não existem limites aceitáveis quando o instinto de sobrevivência afetiva fala mais alto. Essa energia crua e caótica que ela injeta nas cenas de confronto eleva o nível da ação, dando um peso visceral a cada falha.

Para Jessie, a ameaça constante da Lilypad não é apenas uma mudança de hábito infantil, mas a materialização absoluta do seu maior e mais paralisante pesadelo, ou seja, é a passividade amarga de ver a sua dona sendo tragada pelo brilho azul do tablet, que reabre velhas cicatrizes de poliuretano com uma intensidade absurda de metáfora da vida real.

É preciso aplaudir a forma brilhante como a animação digital e a dublagem magistral de Mabel Cezar [6] trabalham em absoluta simbiose para traduzir o pavor indescritível dessa protagonista. Os olhos arregalados, a respiração curta simulada milimetricamente na voz e a postura de quem está sempre à beira de um ataque de pânico ancoram o realismo da obra. A atriz brasileira entrega uma performance estupenda, modulando a voz entre a bravura forçada e o choro contido com uma precisão que esmaga o coração da plateia. Cada fala embargada da personagem soa como um autêntico grito de socorro que foi sufocado por anos de medo acumulado.

Ao final de sua dolorosa jornada de aceitação e luta, Jessie deixa de ser a coadjuvante de luxo traumatizada para se consolidar como a espinha dorsal de resistência de toda a franquia. Ela peita a modernidade fria das telas com a coragem inabalável de quem já sobreviveu ao escuro do abandono uma vez e se recusa categoricamente a voltar para lá. O arco narrativo maduro que a Pixar construiu para ela justifica, por si só e com imensas sobras, a existência dessa quinta e improvável continuação nos cinemas. Fica escancarado, sem margem para qualquer dúvida, que os créditos podem até levar o nome de toda a velha gangue, mas o filme, de ponta a ponta, é inteiramente dela.

A Frieza do Vidro

A narrativa foi feita para incomodar o adulto, e eleger o aparelho como antagonista joga a culpa do isolamento direto no nosso colo. A solidão da Bonnie é o coração de tudo: aos oito anos, ela ainda encena casamentos entre o Garfinho e uma faquinha de plástico, enquanto os gêmeos vizinhos a rejeitam por ela não viver grudada numa tela. Quando os pais cedem e compram a Lilypad para que ela seja como as outras crianças, um gesto de amor mal calculado vira a semente da tragédia. É aí que o roteiro mostra a que veio.

A trama opera numa frequência de desamparo que dá para sentir na pele, e a obsolescência da turma é tratada com a gravidade de uma doença terminal. Stanton arma um purgatório silencioso embaixo da cama e numa caixa na garagem, onde Slinky, Rex e companhia esperam uma atenção que talvez nunca volte. É um retrato cru do que acontece com o afeto quando ele perde a utilidade. O filme não tem pressa de aliviar esse desconforto, e essa paciência é justamente o que machuca.

Crédito:Disney/Pixar

Pelo caminho da Jessie surgem outros brinquedos-tech já descartados, como o GPS-hipopótamo, a câmera digital e o Rolinho, um penico falante por Rafael Infante [7], do Porta dos Fundos [8]. Eles apodrecem em quintais decretando o fim da “era do brinquedo” com um melodrama de filme-catástrofe que arranca riso e pena na mesma medida. O detalhe genial é que todos já foram topo de linha um dia. Eles enxergam no próprio sucateamento exatamente o que Woody (Marco Ribeiro [9]), Buzz (Guilherme Briggs [10]) e Jessie mais temem para si.

Dividir a história entre a velhice do plástico, a luta da Jessie e a odisseia dos Buzzes náufragos foi um risco de ritmo, e nem sempre as pontas se costuram bem. Ainda assim, a ousadia de cutucar o próprio modelo de negócios merece reverência. É raro um estúdio bilionário admitir, num blockbuster de férias, que a maior ameaça à infância talvez seja o tipo de produto que ele mesmo vende. E está justamente nessa mensagem, o risco eminente de arranhar sobre as telas, o perigo de desagradar quem foi ao cinema somente pra se divertir e esquecer da vida.

É raro um estúdio bilionário admitir, num blockbuster de férias, que a maior ameaça à infância talvez seja o tipo de produto que ele mesmo vende.

Assim, o bloco se encerra com um nó em garganta ferida e uma sucessão de aceitações dolorosas que funciona como uma sessão de terapia exposta, sem anestesia para suavizar a tristeza. O filme dissecou diante da plateia o modo como descartamos nossos afetos. E mostra, com piedade (calculada ou não), como trocamos a magia da imaginação pela rolagem infinita de um feed que nunca termina.

A Força da Dublagem

Se o filme entrega essa carga toda sem afundar no melodrama, o mérito é da dublagem nacional, que mata logo no primeiro diálogo o medo de ouvir só um eco cansado. O talento brasileiro injeta sangue quente na frieza calculada da computação gráfica, e a sintonia da dupla convence pela vibração palpável. O ápice vem num momento inesperado e engraçado: um Buzz apaixonado, com timing cômico que quebra a densidade na hora exata. É o tipo de alívio que só funciona porque foi colocado por quem entende o peso do que veio antes.

O trabalho de cabine é o contrapeso vital de um roteiro tão sombrio, inserindo humanidade em suspiros curtos, pausas e pequenas hesitações que dizem mais que o diálogo. Os dubladores usam o próprio legado de décadas para imitar o cansaço de heróis desgastados pelo tempo. O Woody surge barrigudo, careca e de poncho vermelho, enquanto a Jessie carrega o medo concreto de ser abandonada outra vez. Cada nuance dessas é reforçada pela voz, sem nenhum apelo ao exagero.

Crédito:Disney/Pixar

A interpretação nacional não é artifício nostálgico para faturar em cima da saudade, mas ponte direta entre a memória do público e o baque do terceiro ato. Quem cresceu com esses personagens reconhece na hora a vibração das vozes, e isso aproxima a plateia do drama. A escolha de manter a dupla histórica não foi acaso, e sim aposta consciente. O resultado é uma camada extra de emoção que um elenco novo dificilmente entregaria com a mesma força.

Cada tentativa frustrada da Jessie de reconquistar a Bonnie, cada esforço de competir com um brilho que nunca pisca, vira desespero traduzido na voz. É essa entrega que impede o distanciamento de uma trama tão ácida e sufocante. Os dubladores não estão apenas lendo falas, e sim sustentando o peso emocional de cada cena. Quando a Jessie hesita, a hesitação é audível, e isso faz toda a diferença no impacto final.

A energia desses atores traduz a dor de quem perdeu o propósito para uma simples bateria recarregável. Não há vaidade na interpretação, apenas serviço ao que a história precisa dizer. É um trabalho que poderia passar despercebido por ser bom demais, mas que sustenta o filme nos momentos mais delicados. Se a gente sai da sala de olhos marejados, boa parte da honra pertence a eles.

O Isolamento Visual

Stanton entrega o cavalo de Troia mais subversivo do estúdio em anos, embrulhando uma crítica feroz dentro de um banquete visual que parece só bonito. A fotografia trabalha o contraste violento entre a luz quente da brincadeira e o brilho estéril e azulado das telas. O ponto alto são os planos de casas inteiras do bairro iluminadas só pelo facho frio dos aparelhos, com crianças curvadas sobre eles em vez de brincarem juntas. É uma imagem silenciosamente assustadora, que aponta o holofote para a negligência dos pais sem precisar de sermão.

O design dos ambientes é opressivo e desenhado para apequenar os personagens, com cada sombra no piso ampliando a sensação de esquecimento. A própria animação mudou de registro: acabaram os saltos deslumbrados, e entraram movimentos cautelosos, articulações ressecadas, um cansaço corporal de soldados cheios de cicatriz. A textura gasta dos bonecos está esfregada na nossa cara o tempo todo. Tudo conspira para lembrar que eles vivem num mundo de vidro que não conseguem mais tocar.

Crédito:Disney/Pixar

A iluminação ainda se dá ao luxo de desenhar partículas de poeira flutuando no ar parado, criando uma ilusão de abandono quase insuportável de tão bem-feita. Não é firula técnica, e sim escolha narrativa em a poeira pra conta a história de um tempo que passou sem ninguém olhar. Cada detalhe do quadro empurra o espectador para o mesmo lugar de desconforto. A beleza da imagem nunca está ali para agradar, mas para doer com elegância.

Para equilibrar a frieza, Stanton intercala interlúdios em estilo de giz de cera, que materializam a imaginação da Bonnie e da Blaze (Manuela Góes [11]) quando elas finalmente brincam de verdade. O contraste entre essas explosões de cor infantil e a assepsia do mundo digital é talvez o argumento visual mais comovente do filme. São poucos segundos, mas resumem tudo o que a obra defende. A fantasia desenhada à mão vale mais que qualquer gráfico perfeito da tela.

Há um plano específico que sintetiza a coragem visual do longa: os bonecos imóveis diante de uma criança hipnotizada pela tela. Ele choca justamente por trocar a pirotecnia pelo silêncio, forçando o público a encarar o vazio em vez de fugir dele. A estrutura de montagem permite esse ritmo contemplativo e pesado. A aposta na exclusão torna a experiência acachapante, porque a angústia não vem de um susto, e sim da execução impecável.

Fechamento

Quando os letreiros sobem, a sensação é de ter levado uma pancada disfarçada de filme infantil. Stanton transformou uma animação bilionária num espelho que estilhaça nossa zona de conforto digital, e recusa de cara a missão de afagar o ego de pais omissos. Em vez disso, resgata o que a franquia faz de melhor desde 1995: mimetizar com honestidade brutal a dor de ser deixado para trás. É um filme que arranca o espectador da poltrona de consumidor passivo e o obriga a se reconhecer na tela.

Nem tudo é perfeito, é justo dizer. A subtrama dos Buzzes náufragos, por mais encantadora que seja a tropa correndo em uníssono, demora demais a entrar no fio principal e às vezes parece de outro filme. E a estrutura de perseguição e resgate cai na fórmula previsível que virou padrão do estúdio. Mesmo assim, esses tropeços soam pequenos diante da coragem temática que sustenta o conjunto.

Crédito:Disney/Pixar

Encarar o choque tecnológico sem suavizar o golpe é o maior atestado de sobrevivência criativa que a saga podia dar a esta altura. O cinema de animação deveria ser exatamente o lugar onde os medos são desenhados sem covardia. Tropeçar tentando dizer algo difícil vale mais que acertar repetindo o seguro. O terror do esquecimento pulsa forte num texto avesso à covardia de mercado.

No fim, a audácia da obra sacia uma fome de relevância que muitos já davam a saga por extinta, forçando o espectador a rir, chorar e confrontar o abismo de sua própria rotina de telas sem ter para onde fugir. O ceticismo e sono com que entrei na sala de cinema foi desintegrado ao longo de cento e poucos minutos, dando lugar à certeza absoluta de que as melhores narrativas preferem expor nossas falhas mais íntimas em vez de bajular nosso conforto anestesiado. O generoso orçamento do estúdio, quando perfeitamente alinhado a uma honestidade intelectual implacável, provou ser capaz de superar qualquer expectativa cínica.

A inevitável verdade é que a bateria do tablet mais moderno eventualmente vai esgotar e a tela de vidro sempre esfriará no escuro do quarto, mas a tinta gasta formando um nome na sola da bota de Woody segue como um marco imbatível da nossa memória afetiva. Elevar a textura do plástico arranhado à condição de escudo definitivo contra a frieza digital consagra a animação como uma odisseia sobre a resistência dos nossos afetos. É a prova arrebatadora de que a franquia não apenas sobreviveu ao avanço impiedoso dos algoritmos, mas cravou sua lenda na eternidade, garantindo que o coração do brinquedo jamais seja desligado.

FICHA TÉCNICA

Título: Toy Story 5 (2026)Gênero: Animação, Drama, AventuraDireção: Andrew Stanton, Kenna HarrisRoteiro: Andrew Stanton, Kenna HarrisElenco (Vozes Nacionais): Marco Ribeiro, Guilherme Briggs, Mabel CezarProdução: Lindsey CollinsDistribuição: Disney / PixarDuração: 102 min

🎧 A discussão continua no CineABC Metrópole [12]

Quer mergulhar ainda mais fundo nas entrelinhas de Toy Story 5? O debate não termina quando sobem os letreiros.

No episódio desta semana do podcast CineABC Metrópole [12], nós destrinchamos a nova obra da Pixar com uma participação mais do que especial: a estreia oficial do aguardado quadro “A Locadora do Josh”. E por aqui também vai rolar conversa e uma análise afiada que complementa perfeitamente a leitura dessa crítica.

Então descanse os olhos das telas azuis, coloque os fones de ouvido e venha debater com a gente.

Ouça agora o episódio completo [14] no Spotify

[1] https://abcdoabc.com.br/filme-lightyear-estreia-em-3-de-agosto-no-disney/
[2] https://www.pixar.com/stanton
[3] https://abcdoabc.com.br/maisa-vai-participar-da-proxima-novela-das-seis-da-globo-como-antagonista/
[4] https://abcdoabc.com.br/disneyland-70-anos-especialista-aponta-destaques-do-primeiro-parque-da-disney/
[5] https://abcdoabc.com.br/evento/mundo-pixar/
[6] https://www.instagram.com/mabelcezar/?hl=pt-br
[7] https://abcdoabc.com.br/evento/rafael-infante-estreia-a-comedia-infantaria/
[8] https://www.abcdoabc.com.br/catharina-conte-e-a-anatomia-do-caos/
[9] https://abcdoabc.com.br/gamescom-latam-confirma-roblox-e-twitch-para-sua-edicao-de-2025/
[10] https://abcdoabc.com.br/evento/anime-friends-2026/
[11] https://www.instagram.com/nomundoda_manu/
[12] https://open.spotify.com/show/1OAXUnktE2P90UNt8v3TDB
[13] https://open.spotify.com/show/1OAXUnktE2P90UNt8v3TDB
[14] https://open.spotify.com/episode/5BS6UlU0Ooi6fGhnGWJ4r4?si=c9525399d891478e

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