Cármen Lúcia lamenta momento de descrença nas instituições após julgamento no STF
A ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou nesta quarta-feira (16) que “lamenta” o momento de descrença nas instituições democráticas que o país atravessa. A declaração foi dada por videoconferência em um evento sobre controle interno, um dia após a sessão tensa do Supremo que terminou sem conclusão — segundo reportagens do g1 e da Gazeta do Povo.
“A democracia vive da confiança que o cidadão tem, que a cidadã tem nas suas instituições. Eu digo isso com muito lamento pelos momentos que nós estamos passando de descrença, de desânimo com a administração pública”, afirmou a ministra. Ela defendeu ainda que a busca pelo acerto é uma obrigação de todos os servidores públicos, incluindo os ministros do Tribunal.
Na terça, pediu desculpas ao povo brasileiro
As declarações desta quarta se somam ao desabafo feito durante o próprio julgamento, na terça-feira (15). Ao tomar a palavra em seu voto, Cármen Lúcia disse estar em “profunda consternação e tristeza” com a situação da Corte e pediu desculpas ao povo brasileiro: “Eu peço desculpa ao povo brasileiro por talvez ter esperado de mim uma postura diferente. Mas acho que todos nós aqui queríamos a mesma coisa, que era tentar resolver, e as questões não foram resolvidas e foram crescendo demais”.
A sessão de terça terminou com 4 votos a 3 para manter separadas as análises das condutas dos ministros Alexandre de Moraes — na relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro — e de André Mendonça, na condução do relatório do caso Master. O julgamento foi suspenso pelo pedido de vista de Flávio Dino, e a crise institucional segue sem solução à vista.
Cartas e flores de juízas
O desabafo da ministra repercutiu no Judiciário: segundo a imprensa, juízas enviaram flores e carta de apoio a Cármen Lúcia após o episódio, com a mensagem “a senhora não está sozinha” — sinal do mal-estar que a crise pública do STF provocou dentro da própria magistratura.
O PortalABC acompanha a crise no STF e publica os desdobramentos do julgamento.
