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Brasil tem 1.510 cientistas entre os mais influentes do mundo

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Brasil tem 1.510 cientistas entre os mais influentes do mundo

Brasil tem 1.510 cientistas entre os mais influentes do mundo
O Brasil ampliou sua presença entre os pesquisadores mais citados do mundo, mas ainda enfrenta dificuldades para ganhar posições no cenário científico internacional. [1] Um levantamento elaborado pelo pesquisador John Ioannidis, da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, em parceria com a editora científica Elsevier, identificou 1.510 cientistas que atuam no país entre os nomes de maior influência acadêmica. O total representa um crescimento de 3,4% em relação a 2025, quando 1.461 pesquisadores brasileiros ou vinculados a instituições nacionais apareciam na lista.

Apesar do aumento de 49 representantes, o Brasil permaneceu na 24ª posição mundial, sem alterar sua colocação em relação ao levantamento anterior. A distância para os países que lideram a classificação continua expressiva: os Estados Unidos concentram 73.638 pesquisadores, seguidos pela China, com 37.203, e pelo Reino Unido, com 18.300.

Divulgado em 7 de outubro, o estudo utiliza dados de publicações científicas disponíveis até o fim de 2025. A análise considera a repercussão dos trabalhos acadêmicos por meio de indicadores de citações, mas seus próprios responsáveis e especialistas brasileiros alertam que a influência de uma pesquisa não pode ser medida exclusivamente pela frequência com que ela é mencionada em outros artigos.

Universidades brasileiras concentram pesquisadores

Divulgação

A nova edição reúne cientistas vinculados a 259 instituições de pesquisa e ensino do Brasil. A Universidade de São Paulo (USP) lidera a representação nacional, com 282 pesquisadores, seguida pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Universidade Estadual Paulista (Unesp), Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Entre os brasileiros mais bem posicionados estão o médico Carlos Augusto Monteiro, da USP, conhecido por pesquisas na área de alimentação e saúde pública; o físico Constantino Tsallis, do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas; e o engenheiro Jayme Garcia Arnal Barbedo, da Embrapa. Também aparecem em posições de destaque o epidemiologista Cesar Gomes Victora, da Universidade Federal de Pelotas, e o físico José Marengo, do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden).

A relação inclui ainda pesquisadores como Deborah Malta, da UFMG, além de Pedro Henrique Brancalion, Paulo Artaxo, Mayana Zatz e Ester Sabino, vinculados à USP. Os nomes representam diferentes campos do conhecimento, incluindo saúde pública, física, genética, meio ambiente e ciências agrárias.

A concentração de pesquisadores em universidades públicas também chama atenção para o papel dessas instituições na produção científica nacional. Entretanto, a quantidade de nomes presentes no levantamento não equivale, isoladamente, a uma avaliação completa da qualidade de uma universidade ou de sua contribuição social.

Como funciona a classificação de Stanford

O levantamento não se baseia apenas na contagem simples de citações. Os cientistas são avaliados por um indicador composto, denominado c-score, que considera diferentes formas de participação na autoria de artigos científicos, incluindo trabalhos publicados como autor único, primeiro autor ou último autor.

Os dados são extraídos da Scopus, base internacional de resumos e citações de literatura científica revisada por pares. A classificação abrange 20 grandes áreas e 174 subáreas do conhecimento, permitindo comparar pesquisadores que atuam em campos com características distintas de publicação e circulação acadêmica.

A lista inclui os 100 mil cientistas com as maiores pontuações no indicador ou aqueles que figuram entre os 2% mais bem classificados de suas respectivas subáreas. Essa metodologia busca reduzir distorções provocadas pelas diferenças entre disciplinas, já que áreas com maior volume de publicações tendem a gerar mais oportunidades de citação.

Desde 2024, o levantamento também passou a incorporar informações sobre artigos científicos retratados, excluindo casos atribuídos a erros das próprias revistas ou editoras. O objetivo é oferecer elementos adicionais para a interpretação de resultados, uma vez que um número elevado de citações não garante, por si só, a integridade de toda a produção de um pesquisador.

Recuperação da ciência ainda enfrenta limites

(Imagem/Magnific)

O crescimento da participação brasileira ocorre em um período de recuperação da atividade científica nacional. Para Olival Freire Jr., presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq [2]), a ampliação do número de pesquisadores na lista é compatível com a retomada da produção acadêmica após as dificuldades enfrentadas durante a pandemia.

Segundo o dirigente, o Brasil chegou a responder por aproximadamente 3% dos artigos científicos produzidos no mundo antes da pandemia, mas registrou uma redução dessa participação em 2022 e 2023. A recuperação começou a ser observada a partir de 2024, em um contexto de normalização das atividades de pesquisa e retomada de iniciativas de financiamento.

Entre as medidas mencionadas por Freire Jr. estão os três editais universais lançados pelo CNPq desde 2023, em comparação com apenas um no governo anterior. Esses instrumentos financiam projetos de diferentes áreas e instituições, embora a recuperação dos investimentos não signifique necessariamente um crescimento imediato da produção científica ou de seu impacto internacional.

A questão do financiamento permanece como um dos principais desafios. Ioannidis aponta que a participação dos investimentos em pesquisa e inovação no Produto Interno Bruto brasileiro passou de 1,28% em 2015 para 1,19% em 2026, conforme os números citados na análise. Para o pesquisador, essa trajetória pode ter limitado a velocidade de crescimento da presença brasileira na classificação.

O avanço de outros países também interfere na posição relativa do Brasil. China e Índia, por exemplo, apresentam crescimento mais acelerado no número de pesquisadores incluídos, embora Ioannidis observe que parte dessa expansão vem acompanhada de sinais de problemas relacionados à integridade científica, identificados por indicadores como retratações de artigos.

Citações não medem todo o impacto da ciência

Embora a classificação seja uma referência internacional para analisar a repercussão de publicações acadêmicas, especialistas alertam para os limites desse tipo de indicador. Uma pesquisa pode produzir benefícios relevantes sem necessariamente alcançar um número elevado de citações em periódicos científicos.

Na avaliação de Olival Freire Jr., aspectos como a formação de novos pesquisadores, a contribuição para políticas públicas e a aplicação social do conhecimento também precisam ser considerados. Esses resultados não aparecem integralmente em rankings construídos a partir de indicadores bibliométricos.

A própria metodologia do levantamento procura reduzir algumas dessas limitações ao separar os pesquisadores por subáreas e incorporar informações sobre retratações. Ainda assim, a classificação mede principalmente a influência registrada na literatura acadêmica, não a totalidade dos efeitos de uma descoberta científica.

Com 1.510 representantes, o Brasil mantém uma trajetória de crescimento no levantamento internacional. A permanência na 24ª posição, porém, indica que ampliar a quantidade de pesquisadores reconhecidos não tem sido suficiente para alterar a posição relativa do país diante das principais potências científicas.

[1] https://abcdoabc.com.br/sete-cientistas-butantan-ranking-global-ciencia/
[2] https://www.gov.br/cnpq/pt-br

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