Eduardo Cunha afirma que bloqueio de bens é operação política
Eduardo Cunha afirma que bloqueio de bens é operação política

O ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha [1] afirmou nesta segunda-feira (13) que a investigação da Polícia Federal [2] (PF) contra ele é uma “operação política”. O inquérito apura uma possível ingerência ilícita no direcionamento de emendas parlamentares. O político negou qualquer envolvimento em desvios de recursos públicos e contestou as medidas cautelares adotadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
A manifestação ocorre após o bloqueio de R$ 6,1 milhões de suas contas, determinado pelo ministro Flávio Dino, relator das ações sobre emendas na Corte. A decisão judicial é do dia 6 de julho, mas tornou-se pública no último domingo (12).
Defesa classifica investigação como ação política
Segundo Eduardo Cunha, o relatório elaborado pela corporação não possui embasamento jurídico sólido. Ele destacou que a própria Procuradoria-Geral da República (PGR) manifestou-se contra as medidas restritivas solicitadas pela PF.
“Foi uma operação política da Polícia Federal. Não tenho dúvida. E o Ministério Público não encampou, não concordou. Foi contra a opinião do Ministério Público”, declarou o ex-deputado.
Pré-candidato a deputado federal por Minas Gerais, o político argumentou que a articulação para o envio de recursos a municípios faz parte da atividade parlamentar rotineira. Segundo ele, o encaminhamento das demandas seguiu os trâmites partidários regulares da bancada do Republicanos, então liderada pelo deputado Gilberto Abramo (MG).
“Eu recebi as sugestões [de emendas], encaminhei para o partido e aí o partido resolveu encampar através do líder da bancada, que por acaso é deputado de Minas. Foi assim que se deu”, explicou.
O ex-presidente Eduardo Cunha também negou ter sido beneficiário de repasses irregulares. Ele afirmou que o objetivo das negociações era fortalecer a chapa partidária no estado.
Rejeição de acusações sobre assessora da Câmara
A Polícia Federal aponta em seu relatório indícios de que o ex-parlamentar atuava como um “vetor relevante” na definição e remanejamento de verbas orçamentárias. De acordo com os investigadores, o esquema contaria com o apoio de Mariângela Fialek, conhecida como Tuca, servidora da Câmara dos Deputados.
O documento da PF alega que a assessora “contava com pleno aval da presidência da Casa para promover os desvios de emendas em favor de Eduardo Cunha”.
Eduardo Cunha rejeitou as alegações de irregularidade no contato com a servidora, classificando-a como uma profissional altamente técnica e operacional, sem poder de influência política sobre as decisões.
“Ela não fazia nada mais daquilo que não estava programado para ser feito”, afirmou o político, justificando que a procurou por já possuir uma relação profissional prévia com ela de gestões anteriores no Congresso.
Em nota oficial, a defesa de Mariângela Fialek declarou que a servidora sempre atuou de forma “estritamente técnica, apartidária e impessoal” em suas funções no Legislativo. Os advogados de defesa do ex-deputado informaram que já solicitaram acesso integral aos autos do processo e que recorrerão da decisão de bloqueio de bens no STF.
[1] https://abcdoabc.com.br/flavio-dino-bloquear-61-milhoes-eduardo-cunha/
[2] https://www.gov.br/pf/pt-br
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