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A indiferença também é uma escolha na sociedade

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A indiferença também é uma escolha na sociedade

A indiferença também é uma escolha na sociedade
Vivemos tempos curiosos em nossa sociedade. Nunca tivemos tantas ferramentas para denunciar injustiças [1], compartilhar indignações e cobrar mudanças. Nas redes sociais, não faltam críticas aos políticos, cobranças às empresas e discursos em defesa de causas importantes. Mas, quando a realidade deixa de ser uma publicação na tela e passa a exigir uma atitude concreta, quantos estão realmente dispostos a fazer alguma coisa

É fácil indignar-se com a fome, desde que não precisemos nos envolver com quem tem fome. É fácil defender a inclusão, desde que não tenhamos de rever nossas próprias práticas. É fácil exigir solidariedade dos outros, desde que a responsabilidade não bata à nossa porta. Afinal, uma sociedade não se transforma apenas com aquilo que seus cidadãos dizem defender, mas também com aquilo que aceitam, ignoram ou escolhem não fazer.

Quando a indiferença se torna uma escolha

A indiferença raramente se apresenta como uma decisão consciente. Muitas vezes, vem disfarçada de falta de tempo ou daquela conhecida justificativa: “alguém deveria fazer alguma coisa”. Assim, transferimos responsabilidades, esperando que alguém mais preparado, mais rico ou mais poderoso resolva os problemas. Enquanto isso, a injustiça permanece e as oportunidades de fazer diferente passam diante dos nossos olhos.

Isso não significa que cada cidadão tenha condições de resolver todos os problemas do mundo. Existe, porém, uma diferença enorme entre reconhecer que não podemos fazer tudo e usar essa impossibilidade como desculpa para não fazer nada. Nem toda transformação exige dinheiro, influência ou grandes estruturas. Muitas começam com uma escolha, uma oportunidade oferecida ou a disposição de não tratar o sofrimento alheio como se não tivesse relação alguma conosco.

Responsabilidade social exige atitudes concretas

(Imagem/Magnific)

A responsabilidade social também não pode ser confundida com gestos ocasionais para aliviar a consciência ou melhorar a própria imagem. Ela se revela na coerência entre o que defendemos e o que praticamos, no respeito às diferenças e na disposição de contribuir para uma sociedade mais justa e igualitária. É um compromisso que envolve cidadãos, empresas e governos, cada qual com suas obrigações e seu poder de transformar realidades.

Talvez uma das maiores contradições do nosso tempo seja cobrar um país melhor sem perceber que ele também se manifesta nas nossas pequenas escolhas diárias. Queremos governantes responsáveis, empresas comprometidas e mais solidariedade, mas precisamos perguntar quantas vezes fizemos a nossa parte quando alguém precisava de ajuda e preferimos seguir em frente.

O peso das escolhas na sociedade que construímos

No fim, a questão não é saber quem tem mais culpa pelo mundo que temos, mas reconhecer qual é a nossa parte na construção do mundo que desejamos. Sociedades inteiras são moldadas pelas escolhas de seus cidadãos, pelas injustiças que toleram, pelas oportunidades que oferecem e pelos compromissos que decidem assumir.

Por isso, antes de perguntar o que o governo fará, o que as empresas farão ou o que os outros deveriam fazer, talvez seja hora de uma pergunta mais difícil: quando a realidade exige uma atitude, você participa da solução ou se acomoda na posição confortável de quem apenas aponta o problema

A indiferença também é uma escolha. E, mesmo quando não percebemos, nossas escolhas ajudam a definir a sociedade em que vivemos.

De que lado você está?

Dom Veiga

(Divulgação)

Dom Veiga é empreendedor social, peregrino e fundador do projeto Adote um Cidadão [2], organização da sociedade civil que há 27 anos promove a inclusão de pessoas com deficiência e o acolhimento de cidadãos em situação de vulnerabilidade social. À frente da iniciativa, desenvolve ações socioeducativas, esportivas e culturais que impactam comunidades em diferentes regiões do Brasil, unindo propósito, solidariedade e transformação social.

[1] https://abcdoabc.com.br/quando-a-solidariedade-quer-algo-em-troca/
[2] https://adoteumcidadao.com.br/

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